Trabalhadores da Londrimalhas têm créditos a receber
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sexta-feira, 24 de agosto de 2001
Luciano Augusto<BR>De Londrina 
Os ex-funcionários da Companhia Londrimalhas Heringer Indústria e Comércio Ltda, não estão recebendo o valor integral correspondente às indenizações trabalhistas a que têm direito. De acordo com o advogado Firmino Sérgio Silva, que representa três ex-funcionários da empresa que entraram com ação judicial através do Sindicato dos Trabalhadores da Fiação e Tecelagem de Londrina, seus clientes receberam apenas pouco mais de 30% de seus créditos trabalhistas. ''Cerca de 70% do valor dos créditos não estão sendo pagos. Se não houver mais nenhum patrimônio para ser alienado após a falência, me parece que não há mais nada a fazer'', avaliou Firmino.
O presidente do sindicato, Carlos Roberto Duarte, informou que à época do fechamento, a Londrimalhas contava com mais de 120 funcionários. A Folha apurou que existem 128 ações trabalhistas tramitando na Justiça do Trabalho em Londrina contra a indústria.
A Londrimalhas decretou falência em 1997. O leilão da massa falida da Londrimalhas, ocorrido no mês passado, foi suspenso pelo desembargador do Tribunal de Justiça de Curitiba, Cordeiro Cléve, na última quarta-feira. Ele concedeu efeito suspensivo ao agravo de instrumento do Ministério Público de Londrina embasado na alegação do advogado Sebastião da Silva Ferreira (que perdeu a licitação) de que poderia ter protocolado uma proposta de maior valor do que a que saiu vencedora. Os bens da empresa foram leiloados no início do mês por R$ 1.603.091,45. Sebastião e outros dois sócios dele estariam dispostos a pagar até R$ 1,7 milhão.
A Companhia Londrimalhas Heringer Indústria e Comércio já foi uma das maiores indústrias de Londrina. Aberta em 1968, como uma fábrica pioneira em tecelagem, tinturaria e confecção, ocupou uma ampla sede na avenida Tiradentes, erguida pelo seu fundador, o empresário Edson Heringer. O empresário foi presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), no período de 1984 a 1985. A empresa, que no seu início contava com 14 funcionários, evoluiu até chegar a empregar 1.623 pessoas, consolidando a produção e intensificando as exportações. Nos anos 90, entrou em crise até ter decretada a sua falência em 1997.
A reportagem da Folha procurou ontem o síndico da massa falida da Londrimalhas, o advogado Adyr Sebastião Ferreira, para falar sobre a insuficiência de recursos para o pagamento das dívidas trabalhistas, mas ele não foi encontrado e não retornou as ligações.


