Trabalhadores da Atlas pedem transferência para Londrina
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terça-feira, 09 de junho de 1998
Cláudia Lopes 
Paulo WolfgangNa reta finalOperários concluem obras da fábrica da Atlas em Londrina, que inicia pré-operação em agostoA maioria dos funcionários que trabalha na indústria da Elevadores Atlas S/A, em São Paulo, tem interesse em se transferir para Londrina para fugir das demissões, segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Manoel Pedro dos Santos. O sindicato realizou uma assembléia na porta da fábrica às 6 horas da manhã de ontem para informar aos trabalhadores que vai negociar com a Atlas um pacote de benefícios, na próxima segunda-feira, para quem for demitido.
Santos disse que cerca de 100 funcionários da Atlas ligaram para o sindicato na segunda-feira e ontem - desde que a empresa anunciou sua transferência para Londrina - preocupados com possíveis desligamentos. Alguns chegaram a pedir que o sindicato negocie a transferência dos trabalhadores para Londrina. O medo é de não encontrar novo trabalho em São Paulo porque várias indústrias do setor estão mudando para outros Estados.
O diretor administrativo-financeiro e de relações com o mercado, José Ricardo Mendes da Silva, disse ontem à Folha que, se tiver mão-de-obra capacitada para produzir os elevadores e escadas rolantes adequadamente, não vê razão para transferir grande número de pessoas de São Paulo para a unidade londrinense. Apesar de não querer fechar portas para ninguém, a empresa não vai levar a maioria dos funcionários para Londrina. Mas poderemos usar uma parte deste pessoal na unidade do Cambuci, área de montagem e no atendimento em São Paulo, afirma, sem revelar o número de pessoas que serão demitidas. Se quiséssemos levar a maior parte para a nova fábrica, não teríamos solicitado treinamento no Senai de Londrina. O Senai está treinando 565 trabalhadores em Londrina.
Dois fatores influenciaram a escolha pela cidade, segundo ele: a infra-estrutura e a qualificação da mão-de-obra. Silva adianta que os trabalhadores que forem contratados em Londrina não receberão os mesmos salários dos metalúrgicos da empresa em São Paulo. O operário vai receber o salário normal da região, que já tem política estabelecida neste sentido, diz. Silva prefere não revelar qual a média salarial do trabalhador da empresa em São Paulo para não criar falsas expectativas. As contratações começam na próxima segunda-feira. O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo informa que os salários na fábrica paulista variam de R$ 800 a R$ 1,5 mil.
O diretor do sindicato, Manoel Pedro dos Santos, que também é funcionário da Atlas, afirma que irá pedir a continuidade do convênio médico para os trabalhores que perderem o emprego pelo menos por um ano e salários extras, entre outras reivindicações. Segundo ele, a transferência da empresa ameaça cerca de 450 funcionários, que trabalham na produção. A empresa deve transferir o menor número de pessoal possível por causa da diferença salarial entre São Paulo e Londrina, acredita.
A Atlas deve parar de produzir escadas rolantes na unidade de São Paulo na próxima semana, quando está previsto o início da transferência do setor para Londrina, segundo José Ricardo Mendes da Silva. A mudança do do setor de produção de escadas rolantes levará de 10 a 15 dias.
A inauguração da fábrica, que está sendo construída na Cidade Industrial de Londrina, está prevista para setembro. O investimento da Atlas é de R$ 70 milhões. Daqui a um ano, a indústria deve gerar mil empregos diretos e indiretos em Londrina. A empresa produzirá anualmente cerca de 2 mil elevadores e 120 escadas rolantes.


