São Paulo - As negociações dos reajustes salariais das 245 categorias profissionais com data-base no primeiro semestre de 2009 apresentaram resultados levemente melhores aos conquistados no mesmo período do ano passado. Segundo pesquisa, realizada a partir de dados reunidos pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 76,7% das negociações conseguiram aumentos dos vencimentos acima do INPC-IBGE acumulado em 12 meses.

Na primeira metade de 2008, a negociação teve um resultado menor, já que 72,2% haviam conseguiram reajustes superiores ao INPC. Entre as categorias que registraram reajuste inferior ao INPC, o porcentual foi de 7,3% durante as negociações conduzidas no primeiro semestre deste ano, inferior aos 13,1% que não conseguiram repor a inflação nos acordos de reajustes formalizados na primeira metade do ano passado.

Segundo o coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre Prado de Oliveira, a indústria não apresentou o mesmo desempenho de reajustes do obtido no primeiro semestre do ano passado, pois de janeiro a julho de 2009, 82,7% das categorias do setor manufatureiro conseguiram reajuste superior ao INPC, marca abaixo dos 84,7% do primeiro semestre de 2008.

De acordo com o secretário de imprensa e comunicação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Carlos Rogério Nunes, também presente no evento de divulgação da pesquisa, boa parte dos dirigentes do setor cometeu excessos nas demissões realizadas no início deste ano, pois temiam, com exagero, uma retração muito forte da economia brasileira em 2009. ''No fundo, ocorreu um terrorismo empresarial'', disse Nunes.

Na avaliação de Oliveira, embora o número total de categorias que conseguiu reajustes acima do INPC no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado tenha subido um pouco, ocorreu um aumento expressivo de demissões, o que permitiu às empresas concederem aumentos ao setores profissionais sem necessariamente aumentarem seus gastos com a folha de pagamento. ''Não ocorreu aumento da massa salarial dos trabalhadores que atuam no setor formal'', afirmou Oliveira. ''Além disso, os ganhos reais obtidos foram muito inferiores, no geral, à produtividade que as empresas conquistaram de seus funcionários''.

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