Trabalhadores com 'LER' vão à Justiça
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domingo, 13 de agosto de 2000
Julio Cesar Lima De Curitiba 
As indústrias que trabalham com base em linhas de montagem e as empresas que necessitam de trabalho continuado se deparam cada vez mais com o aumento da incidência de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) em seus funcinários. Aqueles que são demitidos por suspeita de estarem com a doença estão ingressando nas justiças trabalhista e cível para retornarem ao trabalho, o que começou a chamar a atenção das empresas. O Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT) recebeu 110.171 reclamações trabalhistas no ano passado, sendo que 33.684 foram registradas em Curitiba.
Ainda não há índices oficiais sobre as ações envolvendo a LER, mas o aumento no número de pessoas portadoras na capital e um levantamento feito pelo Sindicato dos Bancários indicam essa tendência. Responsável por 50% dos 800 casos registrados nos últimos três anos, segundo dados da Associação dos Portadores de LER (APLer), os estabelecimentos bancários têm sido o principal alvo dessas ações.
A bancária Marta Santello Mazuchelli, do HSBC em Curitiba, ganhou o direito de retornar ao trabalho, além de uma indenização de 150 salários-mínimos. Ela ainda não pode recomeçar o serviço, pois tem sido constantemente afastada pelo INSS, devido à gravidade da lesão, disse o presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba, José Daniel Farias.
Além de Marta Santello, outros quatro funcionários dos bancos Bradesco, Unibanco, Real e HSBC localizados na capital também conquistaram o direito de voltar a trabalhar nas agências. Nesses casos ocorreram apenas as reintegrações sem indenizações, informou a assessoria jurídica do sindicato.
Em Campinas (SP), o Banco do Estado de São Paulo (Banespa) foi condenado em primeira instância ao pagamento de indenização por danos morais. A multa foi fixada em R$ 500 mil, mas teve ainda outros R$ 80 mil por danos materiais à funcionária CRP. Essas decisões tomadas pela Justiça mostram que as pessoas dispensadas por causa de LER devem procurar seus direitos, seja por ações trabalhistas ou cíveis, afirmou Farias.
Segundo o diretor-adjunto de Recursos Humanos do HSBC, Nelson Prochet, o banco realiza exames médicos periodicamente. Antes de qualquer desligamento, não importando o motivo da demissão, o banco faz os exames médicos demissionais para que tenhamos certeza de suas condições de saúde, afirmou.


