Brasília O baixo nível de escolaridade dos trabalhadores poderá comprometer a competitividade do Brasil, alertou ontem o Serviço Social da Indústria (Sesi), ao divulgar pesquisa sobre o perfil dos empregados formais no País. Na média, os trabalhadores no Brasil possuem seis anos de escola, enquanto na Argentina a escolaridade média é de nove anos e no Chile é de 12 anos, padrão muito semelhante ao dos europeus. Para o superintendente nacional do Sesi, Rui Lima, melhorar a escolaridade da mão-de-obra é o grande desafio que o Brasil precisa vencer no momento, até para poder competir de igual para igual com seus parceiros do Mercosul.
A baixa escolaridade poderá impedir que trabalhadores menos qualificados continuem se beneficiando da tendência de aumento do emprego com carteira assinada que vem sendo registrada pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do governo federal. Com mão-de-obra abundante, a indústria, por exemplo, vem trocando trabalhadores analfabetos por outros mais qualificados. Dados do estudo divulgado ontem apontam uma queda de 30% no número de trabalhadores analfabetos nos estabelecimentos industriais no período de 2001 a 2003.
Os números do estudo elaborado com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) demonstram que elevar a qualificação dos trabalhadores não será tarefa fácil. Embora a taxa nacional de analfabetismo tenha caído de 1,7% em 2001 para 1% em 2003 (na indústria, mesmo com a queda de 30%, o porcentual é um pouco mais alto, chegando a 1,3%), passa de 43% o porcentual de trabalhadores que não possuem o ensino médio completo.
A radiografia dos trabalhadores não se limita ao grau de escolaridade. Ela avança sobre a renda, sexo, faixa etária e distribuição geográfica. A maioria dos 29,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada em 2003 ganhavam entre um e três mínimos (59,5%), são do sexo masculino (60%) e se encontravam na faixa etária entre 30 e 49 anos. Mais de 30% dos trabalhadores formais trabalham no setor de serviços e estão concentrados na região Sudeste.
A pesquisa do Sesi também serve para comprovar as disparidades regionais no Brasil. As regiões mais pobres, como o Nordeste, concentram a maioria dos trabalhadores analfabetos e de menor renda. Do total de trabalhadores captados pela Rais, 46,7% dos analfabetos estavam localizados no Nordeste. Cerca de 41,7% dos trabalhadores nordestinos ganham até um salário mínimo por mês. Em contrapartida, as regiões Sudeste e Centro-Oeste concentram os maiores rendimentos. No Sudeste, 40,9% dos trabalhadores recebiam mais de três salários mínimos e, no Centro-Oeste, essa proporção era de 37,8%.

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