Trabalhador pagou estabilidade com desemprego, avalia Dieese
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segunda-feira, 01 de julho de 2002
Agência Estado 
São Paulo Um dos pontos negativos da política econômica do Real em seus oito anos foi o baixo crescimento do País e seu impacto negativo sobre o emprego, avalia o diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estudos e Estatítisticas Sócio-Econômicos (Dieese), Sérgio Mendonça.
Ele ressalta que o grande indicador positivo do Real foi a estabilização da inflação. Mas afirma que a estabilidade se deu ''à custa de muitos sacrifícios, principalmente da parte do trabalhador, cuja contribuição para a consolidação do processo foi a perda do emprego''.
Mendonça afirma que Plano Real não conseguiu promover, nesses oito anos, o crescimento suficiente para a criação dos postos de trabalho compatíveis com a evolução da População Economicamente Ativa (PEA).
De acordo com o diretor do Dieese, o Brasil precisaria criar cerca 1,5 milhão de novos postos de trabalho por ano para atender as pessoas que chegam para disputar uma vaga no mercado de trabalho e reduzir o estoque de desempregados.
Para isso, o PIB teria de crescer acima de 4% ao ano. Em 2000, diz o diretor do Dieese, quando o PIB cresceu 4,3%, a taxa de desemprego em São Paulo caiu de 19,3% para 17,6%, de 1,715 milhão de desempregados, na média de 1999, para 1,591 milhão, na média de 2000.
''Vale lembrar que foi um crescimento via indústria e que, por isso, as regiões metropolitanas acabaram se beneficiando mais. Mas de forma geral, o desemprego diminuiu no Brasil'', diz Mendonça.
Além do desemprego, a estabilidade conseguida pelo Plano Real acabou também afetando a renda das pessoas que conseguiram manter seus empregos. Segundo dados do Dieese, entre 1995 e 2001, a renda na Região Metropolitana de São Paulo caiu 21,9%. Para os trabalhadores com carteira assinada, a redução da renda foi de 14%.
Em sua avaliação, ao contrário de 1994, quando Fernando Henrique Cardoso se elegeu defendendo a bandeira da estabilização, em 2002 nenhum tema poderá ser tratado ''monotematicamente''. ''O leque se abriu. A estabilidade deverá continuar sendo defendida pelos candidatos, mas terá de ser acompanhada de outros debates, inclusive sobre o desemprego'', afirma Mendonça.


