A 'paradeira' econômica que aflige o País tem atingido em cheio o trabalhador. Os salários achatados perdem de vista a evolução nas tabelas de preços de produtos e serviços e isso tem ocasionado problemas que vão além do endividamento. ''A preocupação e o desestímulo do empregado influem na sua produtividade e no relacionamento familiar. Em alguns casos leva ao alcoolismo e até o suicídio'', disse o economista e consultor Carlos Ikehara, que ministra palestras gratuitas sobre administração financeira em todo Brasil.
Entre janeiro e maio de 2002, 618 empresas deram baixa em seu cadastro na delegacia regional da Receita Estadual em Londrina. No mesmo período deste ano, o número de pedidos caiu para 271, o que significa uma diferença de 43,8% em relação ao primeiro semestre de 2002. Para o Estado, a desativação dessas empresas resultou na perda de R$ 1 milhão no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na região. ''Isso se deve à saída de grandes empresas, à alta do dólar, à queda no poder aquisitivo da população e à política de estímulo à exportação'', elencou o delegado regional da Receita Estadual, Newton Modesto D'Avila.
Para Denilson Vieira Novaes, diretor de tributos mobiliários da Secretaria de Fazenda em Londrina, de um modo geral a cidade tem se equilibrado diante dos estímulos econômicos e a crise afeta particularmente alguns setores. De janeiro a junho de 2002, a prefeitura recolheu cerca de R$ 12 milhões em Imposto sobre Serviço (ISS) e para este semestre a previsão é de R$ 15 milhões.
Segundo Novaes, este aumento é consequência da eficiência na fiscalização e não do crescimento de contribuintes. Situação semelhante acontece com a expedição de alvarás. Em 2002, a prefeitura forneceu 3.385 autorizações de funcionamento à empresas de sociedade civil, indústrias, comércio e serviços. Até maio deste ano, foram liberados 1.491 uma média de 298 por mês contra 282 do ano anterior. ''Isso não significa um aumento no número de postos de trabalho porque muitos desses alvarás são requisitados por ex-empregados que, diante da dificuldade de encontrar uma vaga, se arriscam numa nova atividade'', completou.
Na opinião de Ikehara, os responsáveis pela crise são a alta taxa de juros e a falta de clareza na política econômica do governo. Para segurar a inflação, ele inibe a demanda que, consequentemente, provoca o desemprego e a baixa no poder de compra da população. ''É um efeito multiplicador negativo que só não é pior nesta região porque a agricultura vive uma boa fase''.
De acordo com Renato Pianowski de Moraes, professor de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e delegado do Conselho Regional de Economia, a redução de 0,5% na taxa básica de juros (Selic) divulgada pelo Copom na semana passada não vai alterar a situação do País. Para ele, a melhora nas perspectivas só acontecerá se, em julho, a taxa de juros cair mais 1,0%. ''Quando a construção civil e a agricultura estão aquecidas as outras atividades crescem por indução'', afirmou.

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