O gasto na aquisição da cesta básica pelo trabalhador que ganha salário mínimo manteve-se estável em junho em todas as capitais brasileiras, mas num patamar ainda elevado, comprometendo bem mais da metade do rendimento líquido do assalariado. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional da Cesta Básica, realizada mensalmente pelo Dieese. Na média das 16 capitais, o trabalhador comprometeria 81,31% do salário mínimo líquido (R$ 119,60, após o desconto de 8% para a Previdência Social) apenas para adquirir a cesta.
Esse porcentual se mantém em patamar semelhante aos 81,77% apurados no mês anterior. Há um ano, quando o mínimo estava fixado em R$ 120, o comprometimento era menor do que o verificado agora, de 73,08% sobre a renda líquida (R$ 110,40). Ou seja, este mesmo trabalhador precisaria trabalhar um pouco menos para comprar a cesta básica. Em junho, na média das dezesseis capitais, a jornada necessária calculada pelo Dieese (considerando o salário bruto de R$ 130) totalizou 165 horas, ante 166 horas de maio. Na comparação com junho de 1997, porém, a situação se inverte, pois naquele mês o comprometimento para a aquisição da cesta era de 148 horas.
Os preços dos alimentos caíram em 10 capitais, em junho, segundo o Dieese. O custo da cesta teve as principais retrações em Belo Horizonte (-3,23%), Curitiba (-2,96%), João Pessoa (-2,39%) e Salvador (-1,99%). A única alta significativa ocorreu em Vitória (4,86%). O maior custo da cesta básica foi apurado em São Paulo (R$ 111,47), com queda de 0,60% sobre maio. Além de São Paulo, Porto Alegre (R$ 104,36), Curitiba (R$ 101,50), Natal (R$ 101,47) e Rio (R$ 100,86) apresentaram cestas acima de R$ 100.
Os menores valores foram apurados em Salvador e Goiânia (R$ 89,65 nas duas cidades). A cesta básica apurada em São Paulo serviu de referência para o cálculo do salário mínimo necessário para a manutenção dos gastos de uma família composta de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças). Em junho, o valor mínimo estimado pelo Dieese para atender às necessidades básicas como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e Previdência Social totalizou R$ 936,46. Este valor é 7,20 vezes superior aos R$ 130 vigentes desde 1º de maio de 1998.

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