Tombo da Bolsa nos EUA espalha o temor de recessão
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terça-feira, 01 de setembro de 1998
France Presse 
A queda anteontem de Wall Street, a mais forte do ano, semeou o temor de uma recessão, que viajando rapidamente da Ásia a América Latina - passando previamente pela Rússia - pode chegar aos Estados Unidos. A Bolsa sempre soube anunciar uma recessão, diz uma máxima de Paul Samuelson, Prêmio Nobel de Economia, citada ontem pela imprensa americana. Os mercados inclusive previram recessões que nunca ocorreram.
Robert Rubin, secretário do Tesouro, regressou ontem de suas férias no Alasca e deu uma coletiva para tranquilizar os mercados. O mundo atravessa um período difícil, mas os fundamentos da economia americana permanecem fortes, assinalou. As perspectivas para um crescimento, um desemprego baixo e uma inflação baixa continuam sendo fortes, acrescentou.
Enfatizou porém que a economia japonesa deve se recuperar. Com efeito, os sinais que podem prever uma recessão americana estão longe de ser convincentes. O crescimento se desacelerou consideravelmente no segundo trimestre (1,6%) em relação ao ritmo desenfreado do primeiro trimestre (5,5%). Mas a inflação (1,7% de ritmo anual) e o desemprego (4,5%) estão em seu mais baixo nível há uma geração.
Ontem, de Moscou, o presidente americano Bill Clinton estimou que a política econômica fundamental (dos Estados Unidos) é sadia, destacando em particular a fraca taxa de desemprego. Ademais prometeu manter a disciplina orçamentária que nos levou aonde estamos, apesar da queda de Wall Street. Os analistas e investidores divergem.
Com a queda dos mercados e a fraqueza (econômica) contínua no exterior, o risco de que tudo termine em recessão aumenta, talvez numa média de 50-50 e isso me deixa nervoso, afirma. A maior preocupação é que os consumidores deixem de gastar (...) Então pode haver uma recessão global, disse Edward Yardeni, economista do Deutsche Bank Securities.
Wall Street tem uma importância enorme na economia dos EUA, já que um de cada dois americanos possui ações e a capitalização da bolsa cresceu a ponto de chegar a ser superior ao patrimônio imobiliário. Isso explica o tremendo impacto da queda anteontem, quando o índice Dow Jones sofreu a segunda pior baixa em pontos de sua história, com uma perda de 512,61 pontos (-6,36%), devido às preocupações provocadas pela situação na Ásia e na Rússia.
O principal índice da Bolsa de Nova York retrocedeu ao nível de novembro de 1997 (7.700 pontos), evaporando os lucros deste ano com uma perda de 2,5% desde janeiro. Mais de um americano de cada dois possui ações, e pela primeira vez desde 1968 este ano o valor da carteira com 28% ultrapassou o valor do patrimônio imobiliário familiar, que se situa em 27%. Televisão, anúncios luminosos e a Internet mantêm os americanos informados minuto a minuto das evoluções da bolsa.
Algumas firmas de corretagem, como Charles Schwab, instalaram secretárias eletrônicas para registrar as ordens de compra ou venda, as quais recebem centenas de milhares de chamadas ao dia. Depois do último mini-crack de Wall Street em outubro de 1997 (quando o Dow Jones perdeu 7,18%), foram os pequenos investidores que se precipitaram na manhã seguinte a recomprar ações, elevando o índice.
Ontem, a Fidelity, maior operadora de fundos de investimento dos Estados Unidos, revelou que nos últimos dias muitos de seus clientes transferiram ativos de fundos em ações para investimentos mais seguros, como fundos e bônus. Fidelity, que administra 690 bilhões de dólares, se negou a dar cifras precisas, mas esclareceu que essas transferências foram feitas só por uma minoria.


