Tombini realça munição do BC para agir no mercado
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sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Eduardo Cucolo, Renata Veríssimo e Eduardo Rodrigues <br> <br> Agência Estado 
Brasília - O Banco Central tem munição e pode intervir no mercado de câmbio neste fim de ano, se houver desequilíbrio entre a oferta e a demanda por dólares que possa alterar de forma significativa o valor da moeda frente ao real. A afirmação é do presidente do BC, Alexandre Tombini, que não vê, entretanto, um limite para a cotação da moeda norte-americana. A divisa fechou praticamente estável ontem, a R$ 2,097, um dia depois de alcançar o maior valor em três anos e meio.
Para o presidente do BC, o atual patamar também deve levar em conta que, tradicionalmente, a oferta de dólares no fim do ano diminui e a demanda aumenta. Ele frisa, porém, que se trata de movimento temporário e tende à reversão no início do ano. ''Se preciso for, vamos intervir na virada do ano.''
Durante audiência pública ontem no Congresso Nacional, Tombini falou ainda da possibilidade de desvalorização do dólar. Afirmou que a autoridade monetária não busca nem uma cotação, nem uma banda de câmbio específica. Mas defende, sim, um dólar em ''outro patamar'', mais alto em relação a níveis verificados até o ano passado, quando a moeda estava bem abaixo de R$ 2 ou ''fora do que seria razoável''.
''O BC continua praticando a política cambial que sempre praticou para que o real não seja objeto de valorização por causa da política adotada por outros países'', afirmou.
Tombini repetiu, pelo menos três vezes, que o Brasil tem um regime de câmbio flutuante, mas que isso não significa que o governo não possa intervir, se achar necessário. ''Não temos qualquer objetivo de câmbio. Estamos sob regime de câmbio flutuante. O que tem se dito ao longo do tempo é que nós sempre tomaremos as precauções para evitar que o Brasil não seja uma praça de desvalorização de moedas importantes, por exemplo, o dólar, contra a nossa moeda.''
Recuperação
Na audiência, Tombini declarou que a visão do BC é que o cenário internacional continua complexo e com perspectiva de baixo crescimento por um longo período. No Brasil, dados recentes mostram que o ritmo da atividade está mais intenso neste semestre e deve continuar assim no início de 2013. Já a inflação está em trajetória de queda, em direção ao centro da meta de 4,5%.
Ao afirmar que o Brasil tem hoje uma taxa de juros mais próxima de níveis internacionais, o presidente do BC citou que isso não significa que, se necessário, a instituição possa mexer novamente nos juros ''para cima ou para baixo''. ''A política monetária se manterá vigilante para que a inflação fique sob controle.''
Questionado sobre a aparente contradição entre os dados positivos do consumo e o baixo crescimento da economia brasileira neste ano, Tombini observou que o problema não está na demanda, que é uma questão administrada pelo BC, mas na oferta, que faz parte de uma política mais ampla do governo.
No dia seguinte ao anúncio oficial de descumprimento da meta fiscal deste ano, Tombini avalia que a situação das contas públicas é confortável, mas é preciso manter esse diferencial do País. ''Isso é importante para crescimento nos próximos anos'', completou.


