Tombini diz que inflação está sob controle
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terça-feira, 05 de agosto de 2014
Eduardo Cucolo<br>Folhapress 
Brasília - O Banco Central fez ontem uma defesa da política econômica do governo, ao dizer que não se pode falar em crise neste momento. Em audiência pública trimestral na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o presidente da instituição, Alexandre Tombini, disse também que o País está longe de um processo de estagflação (cenário de inflação alta com crescimento baixo). Segundo ele, apesar da expectativa de crescimento menor em 2014, a inflação está controlada.
"Certamente não podemos falar de crise aqui", afirmou. "Que crise é essa em que estamos com o menor nível de desemprego de todos os tempos? Que crise é essa em que a inflação está sob controle?", questionou Tombini.
"Estamos caminhando para um fenômeno de quatro meses seguidos de deflação nos índices gerais de preços (IGPs). Tem havido progressos na parte da inflação. Estamos longe, pelo menos na parte da inflação, do conceito de estagflação", disse.
Em relação às afirmações de que a economia estaria estagnada, Tombini disse que a revisão do crescimento para baixo tem sido mais uma norma do que exceção entre as maiores economias desenvolvidas e emergentes e não é algo que diz respeito somente ao Brasil.
O presidente do Banco Central contestou o que chamou de "ideário de reformas e do Estado mínimo", ao afirmar que o México seguiu esse caminho, mas não obteve resultados até o momento e cresceu menos que o Brasil no ano passado.
Tombini afirmou ainda que houve recuperação da confiança dos brasileiros e que isso está relacionado à redução da inflação, principalmente da queda nos preços de alimentos.
Para o BC, a economia brasileira vai crescer mais no segundo semestre. Não se pode descartar, no entanto, um resultado negativo neste ano para o setor industrial. Tombini citou problemas localizados em algumas áreas, como a indústria automotiva, na qual destacou a queda nas exportações para a Argentina.
CRÉDITO
O presidente do BC reafirmou que a estratégia da instituição é manter a taxa básica de juros (Selic) no nível atual de 11% ao ano para combater a inflação. Disse ainda que não há "contradição ou incompatibilidade" entre essa política e as medidas "macroprudenciais" recentes para incentivar o crédito e injetar até R$ 45 bilhões na economia.


