Tomate sobe 150% e assusta consumidor
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quinta-feira, 03 de abril de 2003
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
Consumidores de Londrina estão abrindo mão da salada de tomates de todos os dias por causa da alta no preço. Na região, o quilo do produto subiu até 150% e chega a ser vendido a R$ 3,50 em alguns supermercados e sacolões, de acordo com informações da Associação Norte-Paranaense de Horticultores (Apronor).
A valorização atinge também a batata e a cebola, que junto com o tomate integram a lista das três olerícolas (legumes e verduras) mais consumidas pelos paranaenses. De acordo com Maurício Tadeu Lunardon, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), o preço da batata lisa comercializada no Ceasa de Curitiba aumentou 20% em março, enquanto a cebola subiu 64%.
Como a batata e o tomate fazem parte da cesta básica, o conjunto de alimentos deve ficar mais caro e trazer impacto à inflação do mês. A perspectiva, segundo Lunardon, é que esses produtos continuem valorizados por mais algumas semanas, até a entrada de novas safras.
O clima desfavorável às culturas é o causador dos preços exorbitantes. O técnico explicou que a geada tardia do início de setembro do ano passado afetou as lavouras recém-plantadas. Após essa intempérie, os longos períodos de chuva seguidos por calor intenso afetaram a qualidade das olerícolas produzidas, reduzindo ainda mais a produção.
Quando o clima é favorável, mil pés de tomate chegam a produzir 400 caixas do fruto, informou Antonio Katsutoshi Koga, presidente da Apronor. Com chuva e calor, porém, a produção não passa de 200 caixas. Outro fator que contribuiu para a redução da oferta foi o abandono da atividade por alguns produtores. ''Os preços praticados no ano passado foram muito baixos, muita gente não conseguiu manter as lavouras'', justificou.
O produtor informou, ainda, que o preço de folhosas como couve, alface, cebolinha e acelga começa a diminuir por causa das novas safras. ''Já caiu 50%'', disse. Repolho e couve-flor, cujos ciclos produtivos são mais longos, ainda estão pesando no bolso do consumidor.
O aposentado Aílton Espiguel, 50 anos, deixou de consumir algumas verduras e legumes por causa do preço. Fazendo compras em um supermercado de Londrina, ontem, ele desistiu de levar tomates quando se deparou com a placa anunciando o quilo do produto por R$ 2,50. ''Vou substituir por outros itens até o preço abaixar'', decidiu.
A comerciante Irene de Matos Martins, 63, procura levar os produtos da época para diminuir o custo com alimentação. ''Na minha casa tem salada todos os dias. Faço pesquisa e compro nos locais mais baratos'', acrescentou.


