Tomate segue como vilão da cesta básica
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de maio de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba Pelo segundo mês consecutivo, o tomate foi o grande vilão da cesta básica. No mês de abril, a variação da cesta básica foi de 2,06%, impulsionada pelo aumento no preço do tomate que foi de 32,24%, revelou a pesquisa da cesta básica em Curitiba, feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos (Dieese). Com a variação de abril, a cesta básica em Curitiba, que inclui 13 tipos de alimentos, já está custando R$ 170,33 para um trabalhador e R$ 510,99 para uma família.
O aumento no preço do tomate registrado em abril impediu a deflação no preço dos alimentos, que se espera para os próximos meses, disse o economista do Dieese, Cid Cordeiro. Segundo ele, nos últimos 12 meses a variação acumulada nos preços dos produtos da cesta básica soma 36,34%. ''Fatores como entrada da safra, queda do dólar e preço dos alimentos muito altos, vão puxar os preços para baixo nos próximos meses'', avaliou.
Além do tomate, produtos como açúcar, pão, banana, feijão e arroz, também registraram alta nos preços, mas em percentuais mais comportados, sinalizando que essas variações não vão se sustentar no curto prazo. O açúcar aumentou 3,47%, pão, 3,21%, banana, 1,99%, feijão, 1,93% e arroz, 1,84%. Alguns produtos já estão com seus preços despencando no mercado. É o caso da batata, com queda de 12,20%, óleo de soja, com queda de 5,86%, carne, com queda de 4,87% e manteiga, com queda de 2,44%.
Esse quadro sinaliza que o cenário de pressão dos custos deve ceder espaço para um cenário de estabilização nos preços. O repasse da queda do dólar e da inflação no custo dos alimentos demora de dois a três meses para serem repassados aos preços dos alimentos. Para Cid, as empresas podem estar utilizando essa variação de tempo para recompor ou ampliar margens de lucro.
Um exemplo de resistência são os preços do pão. O economista do Dieese calcula que este ano o preço do trigo no mercado internacional já caiu 10% e a sobrevalorização do real já provocou uma queda de 19,47% no preço do produto. ''Esses dois custos somados resultam numa queda de 31% para o preço do trigo'', disse. Enquanto isso, o preço da farinha de trigo só caiu 12% este ano e o preço do pãozinho ainda apresenta uma variação positiva de 4,76%. As empresas alegam que estão aguardando qual o real patamar do dólar, para estabilizar os preços, disse o economista.


