Cascavel - Depois da confirmação do plantio ilegal de soja transgênica em Toledo, o escritório regional da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) recebeu outras seis denúncias de áreas que possivelmente também foram cultivadas com sementes modificadas. Amostras serão enviadas para o laboratório da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, para verificar se os grãos são ou não transgênicos.
Dentre as propriedades suspeitas, cinco estão no Distrito de São Luiz, o mesmo onde foi comprovada no início da semana a existência de uma lavoura de soja transgênicos. A outra área fica no Distrito de Sobradinho. Fiscais da Seab e do Ministério da Agricultura estiveram ontem nas propriedades para coletar amostras das plantações. Uma última coleta será realizada hoje, antes que as amostras sejam enviadas para Curitiba.
Segundo o engenheiro agrônomo da Seab, Roberto Siqueira Filho, há uma grande preocupação em Toledo com o risco de o município ficar rotulado como produtor de soja transgênica. Ele entende que isso seria prejudicial para a comercialização de aves e de suínos, em razão da existência de contratos de exportação com países que não aceitam organismos geneticamente modificados na composição da ração animal.
Apesar dos temores, o agrônomo da Seab explica que algumas empresas de Toledo possuem um sistema de rastreabilidade da soja convencional que garantem a origem do produto comercializado no exterior. Com isso, é possível saber a origem da semente, área cultivada, dia da colheita, moega armazenada, caminhão utilizado no transporte, até o destino.
O delegado da Polícia Federal, de Foz do Iguaçu, Clayton Eustáquio Xavier, esteve ontem em Toledo para fazer o auto de apreensão das cerca de 1 mil sacas de soja transgênica colhidas na propriedade do agricultor Marcelo Welter. A produção avaliada em R$ 20 mil foi armazenada em um depósito cedido por uma empresa local.
Nos próximos dias, o delegado deverá convocar o proprietário da área a prestar depoimento sobre o caso. Welter já depôs junto ao Ministério Público Federal e confessou que havia comprado as sementes geneticamente modificadas no Rio Grande do Sul. Entretanto, não apresentou o nome do fornecedor.
A área de aproximadamente nove alqueires onde ficou constatada a presença de transgênicos foi interditada pelo Ministério da Agricultura, por um período mínimo de 180 dias, para evitar que sobras de sementes possam gerar uma nova safra. O agricultor foi indiciado por contrabando de semente, sonegação de impostos e crime ambiental, pois a legislação brasileira não permite o cultivo de transgênicos.

mockup