Todo o governo Dilma deve ter inflação acima de 5%
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de março de 2013
Agência Estado 
O governo Dilma Rousseff pode fechar todos os anos de mandato com inflação acima de 5% e, portanto, além do centro da meta de 4,5%. A trajetória ocorrerá se forem confirmadas as novas projeções para o IPCA, índice oficial de inflação, divulgadas ontem pelo Banco Central.
Em 2011, o IPCA fechou no teto da meta, em 6,5%, e, no ano passado, ficou em 5,84%. Para este e o próximo ano, a autoridade monetária projeta taxas acima da marca. No caso da inflação deste ano, as previsões estão consolidadas na casa de 5%.
Na quarta-feira, falas da presidente na África do Sul causaram um rebuliço no mercado. Ao dizer que "não acredita em políticas de combate à inflação que olhem a redução do crescimento econômico", Dilma sinalizou, na interpretação de profissionais do mercado, que a alta da Selic não está no horizonte.
Além disso, citou o Ministério da Fazenda - e não o Banco Central - no que diz respeito a "questões específicas de inflação". Mais tarde, o presidente do BC, Alexandre Tombini, e a própria presidente da República voltaram a falar com a imprensa para tentar reverter os reflexos negativos das declarações no mercado.
Análise
O Banco Central pode ter que subir os juros já em abril, mesmo com o crescimento econômico fraco. A avaliação é do economista-chefe para mercados emergentes da consultoria Capital Economics Ltd., Neil Shearing. Ele avalia que o Comitê de Política Monetária (Copom) pode se mostrar relutante em subir os juros na reunião de abril. Se não em abril, os juros terão que subir em maio.
O economista da Capital Economics, porém, não vê um aperto monetário duradouro no País. "Mesmo se a Selic subir em abril, não acho que esse movimento vai marcar o início de um ciclo agressivo de aperto monetário porque a economia ainda cresce pouco e há a expectativa de desaceleração dos preços mais para o segundo semestre", afirma.



