TJLP menor deve ter impacto reduzido
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quarta-feira, 06 de janeiro de 1999
Agência Folha 
A redução de 18,06% para 12,84% da TJLP (Taxa de Juro de Longo Prazo), que baliza a maioria dos financiamentos do BNDES, deve estimular a retomada de projetos de investimento. Porém, não será motivo para grande entusiasmo. Especialistas avaliam que está longe de haver uma enxurrada de demanda por crédito para projetos e compra de equipamentos. A razão apontada é simples: a taxa ainda é muito alta.
O diretor financeiro do BNDES, Isac Zagury, não concorda com essa avaliação. Não temos queixas sobre os juros, isso só aconteceu quando a TJLP foi a 18%. Segundo ele, a redução vai estimular a demanda por crédito e permitir que todo o orçamento do banco para 99, estimado R$ 20 bilhões, seja consumido.
Em dezembro, a TJLP saltou de 11,68% para 18,06% ao ano, acompanhando o choque dado nos juros em setembro pelo governo para conter a fuga de capitais. Isso paralisou projetos de investimento das empresas que contavam com capital do BNDES. Embora a taxa fosse baixa em vista de outras linhas de crédito - capital de giro custava mais que o triplo -, era proibitiva para investimentos de longo prazo.
A indústria protestou e foi atendida antes do esperado. Pela antiga regra, apenas em março haveria uma nova TJLP. O governo mudou as regras para atender aos industriais e no dia 30 de dezembro baixou normas que permitiram a redução imediata. A redução atende em parte às nossas reivindicações. O aumento para 18% foi absurdo. Ainda assim, a taxa não favorece o financiamento de longo prazo, diz Luiz Carlos Delben Leite, presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).
Ele lembra que as taxas no exterior ainda estão bem abaixo disso, o que prejudica a competitividade da indústria nacional. Delben acredita, no entanto, que a redução da taxa deve melhorar as expectativas, podendo haver retomada dos investimentos. Outro aspecto ressaltado por ele, este sim inquestionável, é que as empresas que já haviam contratado financiamentos indexados à TJLP terão a pressão sobre seus caixas aliviada. Essas empresas tomaram um susto com a alta súbita da taxa em dezembro e viram seus custos disparar.
Para Roberto Zuanella, sócio da assessoria Setape, uma das principais vantagens das novas regras é justamente impedir que a TJLP volte a dar um salto como o de dezembro. Isso dá segurança ao empresário em relação ao empréstimo que ele está tomando hoje. A partir de agora, qualquer aumento da TJLP ficará limitado a 10% da média dos últimos 12 meses. Por exemplo, se a média for 10%, a nova taxa poderá ser de, no máximo, 11%. As alterações acontecem a cada trimestre.


