TJ suspende leilão da Londrimalhas
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quarta-feira, 22 de agosto de 2001
Guto Rocha<BR>De Londrina 
O desembargador do Tribunal de Justiça de Curitiba, Cordeiro Cléve, concedeu ontem efeito suspensivo ao ''agravo de instrumento'' do Ministério Público de Londrina que pedia a suspensão do leilão da empresa Companhia Londrimalhas Heringer Ltda. Segundo a assessoria do desembargador, a decisão é provisória até que a matéria seja julgada pela 6 Câmara Cível do Tribunal de Justiça.
Os compradores da massa falida foram Wajdi Ibrahim El Haouli e Wajdi Ibrahim Construções e Empreendimentos Ltda. O efeito suspensivo, segundo a assessoria de Cléve, será encaminhado hoje para a publicação no Diário Oficial do Estado, e após isso, a 6 Câmara tem prazo de 10 dias para julgar o caso.
A assessoria informou ainda que o desembargador terá de ouvir o síndico da massa falida da empresa, o advogado Adyr Sebastião Ferreira, antes de emitir decisão. Ontem, Adyr Ferreira disse à Folha que não sabe porque foi suspenso ''um leilão que já aconteceu e que permitiu que os credores fossem pagos''. Mas afirmou que ''o desembargador tomou a decisão correta, porque acredito que vai querer analisar mais profundamente o caso''.
A massa falida da indústria Heringer foi a leilão duas vezes e não atraiu compradores. A Justiça determinou, então, a realização de outros dois leilões, com apresentação de propostas abertas. Só na quarta tentativa o imóvel foi arrematado. A massa falida foi avaliada inicialmente em R$ 5 milhões. Posteriormente, o valor foi fixado em R$ 2,9 milhões e por fim, ''pela falta de interessados'', o juiz da 7 Vara Cível autorizou o recebimento de propostas inferiores ao preço mínimo.
O Ministério Público de Londrina ofereceu o ''instrumento de agravo'' do leilão extrajudicial com base em declarações do advogado Sebastião da Silva Ferreira. Segundo o advogado, ele esteve na 7 Vara Cível do Fórum de Londrina para apresentar a proposta de compra no leilão do dia 31 de julho passado, último prazo para entrega das propostas.
Ele afirmou que no dia 27 do mesmo mês, havia se informado sobre as ofertas de compras que já haviam sido protocoladas e recebeu a informação que o valor da maior proposta era R$ 1.550.000,00. O advogado, e outros dois compradores (Retlaw Agropastoril e Rubens Accorsi), se juntaram para apresentar três propostas, que cobriram a de maior valor até então apresentada. Uma de R$ 1,6 milhão, outra de R$ 1,65 milhão e ainda uma terceira de R$ 1,7 milhão. Ferreira afirma que propôs a compra por R$ 1,6 milhão, porque foi informado pelo escrivão da 7 Vara Cível que a maior proposta até então era de R$ 1,55 milhão. Aquele seria o último prazo para ofertas.
Mas a proposta vencedora, segundo Ferreira, foi apresentada três dias depois do prazo limite, com o valor de R$ 1.603.091,45 pouco mais de R$ 3 mil além do que ele e os seus sócios haviam oferecido. Isso levou o advogado a apresentar denúncia no Ministério Público, que pediu a suspensão do leilão. Segundo Sebastião Ferreira, ele e seus sócios estavam dispostos a pagar até R$ 1,7 milhão, por isso surpreenderam-se com uma proposta vencedora menor. ''O problema social da falência acabou não sendo resolvido. Os trabalhadores, que tinham créditos trabalhistas, acabaram sendo prejudicados''.
O síndico da massa falida afirmou que os valores recebidos foram ''suficientes para saldar as dívidas''. ''Primeiro disse à Folha foram pagos os credores trabalhistas, depois o fisco e os outros credores, como manda a Lei das Falências'', disse Adyr Ferreira.


