TJ proíbe utilização do glifosato
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ) proibiu na última terça-feira o registro estadual do glifosato utilizado para controlar plantas daninhas da soja Roundup Ready (soja transgênica). A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) havia conseguido, através de mandado de segurança, a liberação para usar o produto nesta safra e pretende recorrer da decisão no Superior Tribunal de Justiça ainda neste mês. A estimativa da Faep é que pelo menos 45% da soja plantada no Estado seja transgênica.
Segundo o engenheiro agrônomo Silvio Krinski, técnico de Meio Ambiente da Faep, a comercialização do glifosato depende de dois registros: um nacional e outro estadual. O produto já tem registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) - inclusive com parecer favorável do Ibama e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - mas não foi liberado pelo governo do Estado. ''Com a ação, queremos que o produtor tenha a oportunidade de escolher entre o plantio transgênico ou o convencional, avaliando entre as questões ambientais e o custo'', diz.
No Paraná, 21 empresas têm autorização para comercializar o herbicida apenas na fase de pré-plantio. ''Depois da semeadura a autorização estadual é só para utilização de produtos com outros princípios ativos'', informa Krinski. Ele acrescenta que nesta safra os sojicultores não devem mais usar o glifosato porque as plantas já estão em ciclo final. ''A nossa preocupação agora é com a próxima safra'', salienta. O engenheiro agrônomo observa que a utilização de outros herbicidas nas lavouras transgênicas não apresentam o mesmo resultado no controle de plantas daninhas do glifosato.
''É um pacote tecnológico. O plantio da soja RR exige o manejo com o glifossato. Em plantas comuns, o glifosato interrompe o ciclo ativo e desseca a planta, mas isso não ocorre em transgênicos'', explica ele. Krinski também afirma que não há risco de que o glifossato contamine lavouras próximas. ''A aplicação deve ser direcionada diretamente nas ''plantas-alvo'' (plantas daninhas) e, como qualquer outro produto, devem ser respeitadas as normas de aplicação. Se as regras não forem seguidas vai acarretar também em problemas de ordem econômica para o sojicultor'', comenta o engenheiro agrônomo.


