TJ analisa habeas corpus para donos de postos
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quarta-feira, 19 de março de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Nas próximas horas, juízes do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, em Curitiba, devem decidir se os dois donos de postos presos no 2º Distrito Policial de Londrina desde sexta-feira serão ou não liberados. Os empresários Ariovaldo Arruda, presidente da Associação dos Revendedores de Combustíveis de Londrina (Arcom), e Valter Domingos Sasso, diretor do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis), e outros dez donos de postos e gerentes, que continuam foragidos, são acusados da prática de crime contra a ordem econômica, formação de cartel e constrangimento ilegal de testemunhas.
O advogado de defesa de Arruda, Rene Dotti, interpôs ontem um pedido de habeas corpus no TJ, distribuído para o desembargador Moacir Guimarães, da 1 Câmara Criminal. Até o fechamento desta edição, o juiz ainda estava analisando o recurso.
A defesa de Sasso também pretendia entrar com o mesmo pedido, ontem, em favor de seu cliente. Mas até o início da noite, nada havia sido protocolado no TJ. Deixando de lado o embate jurídico, o advogado Antônio Fidélis argumentou ontem que o problema sobre os preços dos combustíveis, sobretudo em relação à gasolina e ao álcool hidratado, é provocado pelo próprio Governo.
Ele apontou que o valor de custo da gasolina para os postos é de R$ 2,011. Mas, para coibir a sonegação, o Governo cobra o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) antecipadamente das distribuidoras, usando como base o preço médio de R$ 2,40 por litro da gasolina. ''Ora, se o Governo cobra sobre R$ 2,40 é porque o produto pode ser vendido até R$ 2,40'', comentou. O preço do litro da gasolina ontem em Londrina variava de R$ 2,35 a R$ 2,38.
O mesmo procedimento também é adotado para o preço do álcool hidratado, que tem preço de custo médio de R$ 1,412 mas, para efeito de tributação, a base de cálculo para cobrança do imposto sobe para R$ 1,829. A preço do litro de álcool ontem na cidade variava entre R$ 1,55 e R$ 1,58.
Para Fidélis, que advoga para o SindCombustíveis, os preços são similares em virtude do comportamento do próprio mercado e não por causa de uma combinação entre os empresários. Por causa da exigência de ''estampar seus preços em letras garrafais, o mercado se auto-alinha''. ''O Ministério Público, por desconhecer essa política de preços e como funciona a situação econômica e legal, diz que há alinhamento porque os preços são semelhantes'', disse o advogado. Ele lembrou que o contrário, o ''dumping'' - preços muito baixos, praticados para acabar com a concorrência -, também já ocorreu em Londrina.
Fidélis rebateu a suspeita de que o SindCombustíveis tenha articulado junto a seus filiados para que cobrassem os mesmos valores. ''Sindicato não tem a finalidade de se unir para decidir preço e nunca fez isso'', declarou.
A reportagem procurou o promotor de Defesa dos Direitos do Consumidor, Miguel Jorge Sogaiar, mas ele não foi localizado até o fechamento desta edição.


