Herbert Bartz avalia o recebimento do título Doutor Honoris Causa da UEL como um reconhecimento do seu empenho pela agricultura nestas quatro décadas. "Fico contente com a homenagem, já que o trabalho foi importante não só para minha pessoa, mas para agricultura do País."
Ele relembra que a nova técnica surgiu em terras paranaenses num momento de desespero. Há 40 anos, as condições climáticas influenciavam muito mais na lavoura. Se chovesse muito após o plantio convencional - com o solo preparado com aração e gradagem antes de fazer a semeadura - as águas carregavam as sementes e ainda abriam grandes erosões na terra.
Após uma situação semelhante, em 1971, quando aconteceu uma grande seca seguida de um temporal, o produtor buscou ajuda dos pesquisadores do então Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária Meridional (Ipeame). Descobriu que havia experiências interessantes na Inglaterra e nos Estados Unidos, onde os produtores plantavam sobre a palha.
Em 1972, na Universidade de Lexington, em Kentucky, encontrou o produtor Harry Young Jr, que trabalhava no sistema sem preparo de solo. Bartz ficou impressionado com a técnica e adquiriu a mesma semeadora que o norte-americano utilizava. Assim, ele começou o plantio direto de soja em suas áreas. "Fui considerado maluco, não tinha apoio, equipamentos adequados e tive que reaprender a plantar. Tudo era diferente", recorda.
Em julho do mesmo ano, a lavoura que resistiu à chuva foi alvo da geada. Cerca de 300 hectares foram perdidos e, endividado, Bartz foi obrigado, na safra seguinte, a plantar toda a sua área com o Sistema de Plantio Direto, o que não era seu objetivo inicial. "Iria fazer em apenas 20 hectares, mas esta situação fez com que aplicasse a técnica em todo o local. No final das contas, consegui uma produtividade de 50 sacas por hectare, bem similar ao plantio convencional, mas sem erosões", conta ele.
Hoje, o pioneiro considera que para que o agricultor seja economicamente bem sucedido, é preciso estar alinhado com a sustentabilidade. "Voltei recentemente dos EUA, onde estão festejando os 50 anos do início do plantio direto, mas apenas com 35% das áreas utilizando a técnica. No Brasil, damos mais importância e acreditamos que estamos nos tornando o celeiro do mundo graças ao sistema."
Bartz fala com gabarito, já que a partir da técnica é possível transformar 100 milhões de pastos degradados em áreas agriculturáveis no País. "Em todo o mundo, se utiliza terra de primeira para o plantio. Aqui, estamos fazendo o inverso através do plantio direto e a rotação de culturas", avalia o pioneiro. (V.L.)

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