Título de capitalização não é investimento
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quinta-feira, 13 de julho de 2006
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
No ano passado o mercado de títulos de capitalização movimentou perto de R$ 7 bilhões e devolveu a boa parte dos aplicadores um valor menor do que eles haviam ''investido''. Isto porque, conforme afirma a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor - Pro Teste - título de capitalização não é investimento, ele pode divertir quem se anima com a possibilidade de ganhar um prêmio, mas é perda na certa.
Segundo a economista da entidade, Verônica Dutt-Ross, a Pro Teste analisou 46 títulos de capitalização - de janeiro a abril deste ano - de 11 instituições e comprovou que todos eles prejudicam o consumidor. ''O consumidor não ganha nada, já que apenas uma parte do total depositado é capitalizada'', afirmou Verônica.
Conforme explicou a economista existem duas formas de pagamento dos títulos: à vista ou parcelado. Em ambos os casos, o valor é dividido em três cotas: uma para a capitalização (84%), outra para o sorteio (5%) e a última para a administração (11%). ''A pessoa só vai ganhar dinheiro se for sorteado. Se não for, a cota que é destinada à capitalização não vai render o suficiente para cobrir o dinheiro aplicado inicialmente'', destacou.
Conforme a assessoria de imprensa da Pro Teste, desde 2004 a entidade denuncia as empresas que vendem esse tipo de produto à Superintendência de Seguros Privados (Susep) - hoje, algumas já estão impedidas de vender os produtos, porém, ainda são encontradas no mercado 56 títulos de 12 instituições.
Para dar um exemplo do mal negócio que o consumidor pode fazer ao adquirir um título de capitalização, Verônica destacou que em um dos cálculos projetados pela Pro Teste foi relativo a R$ 1 mil depositados em títulos. A remuneração só incidiria sobre R$ 843, o restante remuneraria a instituição. Além disso, a remuneração que incide sobre parte do total depositiado é muito baixa. ''Se a pessoa quer guardar o dinheiro e ter um rendimento é melhor que aplique na poupança ou em títulos de renda fixa'', informou. Outro exemplo da PRO TESTE relata o caso de um associado que, por recomendação do gerente de seu banco, investiu R$ 20 mensais em um título de capitalização durante um ano, o que, somado, daria R$ 240. No final da vigência do título, contudo, ele só recebeu de volta R$ 200,95.
O que motivou a análise da Pro Teste foi o relevante número de propaganda enganosa e apelativa que a entidade encontrou. Além de muitas reclamações de consumidores sobre a venda casada, que algumas instituições estavam aplicando. ''Às vezes, um cliente de um banco só pode usar um serviço do banco - como um empréstimo - se junto adquirir um título de capitalização'', disse. Além disso, muitos consumidores não têm muito conhecimento dos que estão comprando.
Diante disso, a PRO TESTE orienta os consumidores a se desligarem destas aplicações, e mais: quer a retirada de todos os títulos de capitalização do mercado até que sejam reformuladas as normas que regem estes produtos, para assegurar mais informação ao consumidor e uma efetiva remuneração ao seu dinheiro.


