Discretamente, São Paulo foi palco, esta semana, em dois simpósios paralelos, de um teatro de guerra global, como se diz em bom militarês. E que guerra! A maior batalha mercadológica de que se tem notícia. Em jogo, a conquista do padrão digital da telefonia celular do Terceiro Milênio. Um padrão que se pretende excludente e definitivo. Em todo o mundo, Brasil no meio.
Tecnologia TDMA ou tecnologia CDMA? Sem torrar neurônios do leitor com as tecnalidades de uma e de outra, a TDMA garante quatro canais digitais no espaço de um canal analógico. Já a CDMA promete até dez canais no mesmo espaço. Promete, porque ainda não foi testada em sistemas de grande capacidade. Contenta-se com operações experimentais para 40 mil celulares em Hongcong e 100 mil em Seul. E não está conseguindo entrar em órbita em Los Angeles. Nem em Ribeirão Preto, SP. Enquanto isso, a TDMA, que se diz tecnologia madura, opera com mais de 35 milhões de celulares em todo o mundo.
O Brasil está com o dedo no gatilho para a grande escolha. O que significa dizer que a guerra pelo padrão do celular brasileiro sacode, nestes dias, os bastidores do governo brasileiro e dos grupos privados nacionais e estrangeiros embicados para a exploração da telefonia celular digital da Banda B.
Em Uberlândia, MG, a CTBC (primeira e única telefônica privada) acaba de optar pelo sistema TDMA. As operadoras estatais aguardam a decisão que não é delas: é do Ministério das Telecomunicações. Fornecedores do sistema digital TDMA estranham essa hesitação planaltina. Seguinte: o padrão analógico brasileiro não pode ser ampliado com a tecnologia CDMA. Só com a TDMA.
Se adotado o sistema CDMA, a família Telebrás, atuando na Banda A, terá de substituir a infra-estrutura já instalada ou de operar com os dois sistemas. Seria desperdício de tempo e dinheiro, com perda de competitividade das estatais para os futuros concorrentes privados da Banda B. E o atual usuário perderia o ‘‘roaming’’ automático que lhe tem permitido sacar seu celular em qualquer restaurante do Brasil (no avião, não, please) no raio de alcance da telefonia celular local. Ele passaria a trombar com as ‘‘ilhas CDMA’’, que seriam espalhadas pelo território nacional.
A questão de fundo é menos de tecnologia e mais de mercado. Um mercado que envolve interesses de bilhões e bilhões de reais.

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