Tire o s da crise (Joelmir Beting)
Tire o s da crise (Joelmir Beting)
Os governos nunca quebram. Por causa disso, eles quebram as nações.
Kenneth Arrow, Prêmio Nobel de Economia
Tire o s da crise
Um novo pacote fiscal? A manchete de domingo causou arrepio nas searas da produção e euforia nas hostes da oposição. Ainda não refeita do choque fiscal (e monetário) de novembro, a economia brasileira não merece nova chantagem emocional por nossa própria conta e risco. Não por obra de algum repique da crise asiática ou de algum colapso na frente russa, mas por graça do nosso déficit público da variedade rosca sem-fim.
Uma pena. As empresas começam a sair da toca da retranca preventiva para uma ressabiada retomada dos projetos, dos negócios, dos investimentos e dos empregos. Sondagem da FGV, divulgada sexta-feira, revela que 45% das empresas consultadas apostam em expansão do respectivo mercado neste segundo trimestredo ano. Outros 45% projetam sustentar a taxa de ocupação da capacidade instalada pela média de 81%. Apenas 10% estão com o freio de mão puxado.
A sondagem da FGV envolve 1.403 empresas que faturam, em bloco, R$ 130 bilhões e empregam 760 mil trabalhadores. As empresas do setor reaquecido de bens de capital lideram a expectativa de retomada geral: 82% delas estão com o pé no acelerador. O que significa dizer que o setor industrial como um todo, vendendo ou não vendendo, continua investindo em modernização, em diversificação, em ampliação de capacidade. Uma aposta no futuro, diz o coordenador da pesquisa, Éden de Oliveira.
Outro dado reluzente: para 84% das empresas consultadas, os preços devem permanecer estáveis em cenário de retomada gradual. Sem rebrota da inflação de demanda, alvo maior do arrocho monetário. No terreno minado do (des)emprego, 63% das empresas não pensam em demitir mais ninguém. Outras 15% admitem contratar mais gente - se o governo parar de brincar de pacote fiscal.
O setor de bens de consumo, o mais atingido pelos choques encavalados de novembro, continua andando de lado. Mas já emite os primeiros sinais de convalescença - se o comércio lojista e o sistema bancário embarcarem nas pegadas do Copom, rebaixando os juros também para quem produz e para quem consome. No crediário de loja, a pancada ainda é de 187% ao ano. No crédito pessoal em banco, a usura continua acima de 230% ao ano.
A percepção coletiva de que o pior já passou igualmente transparece do Termômetro Empresarial da consultoria Arthur Andersen. A confraria das multinacionais lidera a recarga dos investimentos em produção e em tacadas de fusão ou de incorporação. Até porque, além de globais antes da globalização, elas desfrutam, de fora para dentro, de capital próprio e barato. Tempo certo para alargar espaços no Brasil - onde as empresas nacionais, bem ao contrário, encaram o crédito mais curto e mais caro do mundo.Secos e molhados
Rodoanel 1
- Acabou a enrolação de 14 anos. O projeto do Rodoanel começa a sair da gaveta para a orla metropolitana de São Paulo. As obras devem ser iniciadas agora em junho, garante Jamil Cury, presidente da Dersa.
Rodoanel 2
- Os recursos para o primeiro trecho já foram liberados pela trindade Prefeitura, Estado e União. As etapas seguintes devem ser financiadas pelo BID, pelo Eximbank e por bancos japoneses. Os contratos já totalizam US$ 1,4 bilhão.
Rodoanel 3
- A participação japonesa, ainda não assinada, envolve mais US$ 500 milhões. Ela se dará no financiamento de portos secos para o Rodoanel e no projeto de um futuro Ferroanel em paralelo com o Rodoanel.
Rodoanel 4
- Coordenador do Rodoanel, o engenheiro Ulysses Carraro diz que a obra vai aliviar a barra do desemprego na região metropolitana. Quando implantada, vai civilizar o transporte pesado, retirando-o das ruas, avenidas e marginais da capital paulista.





