A decisão de substituir o tíquete alimentação na forma de papel por cartões eletrônicos deve gerar polêmica, uma vez que estes vales, hoje, são comumente usados como moedas de troca. A ponta do comércio começa com o trabalhador, que costuma vender o benefício com deságio como forma de aumentar seu ganho em espécie. Os comerciantes, por outro lado, além de ganhar com a compra dos vales, muitas vezes passam os papéis para frente na compra de matéria-prima.

A verdade é que há tempos que o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) não cumpre mais o seu papel. Existente há 25 anos, o objetivo do governo federal era criar uma forma de colaborar com a renda do trabalhador, sem onerar as empresas, que têm benefícios fiscais ao integrarem o programa.

''O ideal seria que os trabalhadores ganhassem bem para escolher onde, quando e o que querem comprar'', diz o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Paraná, Roberto von der Osten. Mas, se esta situação não é possível ele defende que se criasse um meio de fazer com que os trabalhadores recebessem o valor correspondente aos tíquetes em dinheiro, e que as empresas continuassem tendo os incentivos fiscais sobre este pagamento.

Para von der Osten, a transformação do benefício em cartões vai acabar elitizando o acesso dos estabelecimentos. ''O pequeno comerciante que já está perdendo clientela para os grandes, dificilmente vai colocar uma máquina em sua loja, porque sai muito caro. Quer dizer, este projeto nada mais é do que a defesa corporativa do grande capital'', finaliza. (M.G.)

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