Maringá - O rastreamento da produção de carne é um avanço mas tem que ser visto como um processo que leve à tipificação da carcaça que, por sua vez, premia o produtor pelo investimento e esforço na melhoria da qualidade. Sem chegar à tipificação, a rastreabilidade, por sí só, acaba sendo inócua, meio capenga. O primeiro passo foi dado, mas o pecuarista vai ganhar mesmo é com a tipificação, que agrega valores''.
A opinião é do ex-ministro da Agricultura, José Eduardo de Andrade Vieira, ao falar segunda-feira para cerca de 300 empresários no Núcleo Regional de Criadores de Nelore de Maringá, quando do lançamento do Programa de Qualidade do Nelore Natural (PQNN). José Eduardo, defendeu a organização da cadeia produtiva da carne em que os agentes que compõem esse sistema cumpram papéis bem definidos.
''Nós produtores temos que brigar por esta causa. Há um longo caminho mas vale à pena. A organização da cadeia produtiva, segundo José Eduardo, acaba suprindo a ausência de uma política de produção que o Brasil não tem na agropecuária, como não tem para o aço, para o café e nem mesmo para a indústria, a não ser conjunturalmente.
Boi natural - O Núcleo dos Criadores de Nelore de Maringá é considerado o núcleo mais forte do Brasil; ele saiu na frente com o Programa de Qualidade do Nelore Natural (PQNN). Segundo o seu presidente, Edi de Oliveira Vieira, o Núcleo vai coordenar, em termos de Paraná, o projeto Nelore de qualidade, da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB).
O empresário Hélio Costa Curta, ao apresentar José Eduardo, lembrou que as
melhorias no setor da carne - que têm facilitado a conquista de novos mercados -, resultam de todo um trabalho iniciado quando o paranaense José Eduardo era ministro da Agricultura. E Edi de Oliveira, presidente do Núcleo, fez referência aos ''muitos benefícios para a economia paranaense criados pelo espírito empreendedor da família Andrade Vieira, tanto na política como na iniciativa empresarial.
Idéia tem 70 anos - ''A Inglaterra faz a tipificacação da carcaça bovina há 70 anos'' - disse José Eduardo, ao lembrar a trajetória do Ministério da Agricultura nos primeiros estudos sobre o assunto, que começaram, em 1995, com visitas à países europeus que foram acumulando conhecimento sobre o tema. Ele também destacou o empenho dos técnicos do Ministério que o auxiliaram.
Na Europa você não vai encontrar vaca com mais de seis ou sete ano, a não ser exceções de muita qualidade. As matrizes são substituídas, após o 6º parto, por vacas novas que incorporam outros atributos genéticos.
Estratégia da aftosa - Os diretores do Núcleo de Nelore comentaram que ''se o Brasil ganhou mercado internacional e uma boa imagem sanitária isto se deve ao controle da aftosa''. Neste ponto lembraram que ''tudo começou no tempo de José Eduardo no Ministério da Agricultura''.
A propósito, José Eduardo se reportou também ao controle da aftosa. Lembrou que foi estratégico o controle através da divisão por regiões. Como ministro, ele negociou com um alto funcionário do quadro técnico da Organização Mundial do Comércio (OMC). ''Levei um mapa do Brasil e um mapa da Europa - disse - para mostrar a extensão territorial e as dificuldades para um controle eficaz''.
A partir daquele entendimento, o controle passou a ser feito por Estado o que beneficiou o Paraná e os Estados que mantêm a aftosa sob controle.
O encontro dos neloristas para lançar a idéia do Nelore de Qualidade foi marcado pelo interesse sobre o projeto, que nasceu na Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB).

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