O ‘‘The New York Times’’, um dos jornais mais influentes do mundo, publicou ontem extensa reportagem sobre o Brasil. O jornal afirma que ‘‘o povo brasileiro está pagando os maiores custos com a guerra lançada pelo governo para salvar o real e evitar que o Brasil se transforme na próxima peça do dominó da crise asiática’’. Para o ‘‘Times’’, as medidas adotadas pelo governo para salvar a moeda - que vêm satisfazendo até agora os mercados globais - estão afetando mais os pobres e as classes mais baixas. De acordo com o jornal, a crise asiática fez o Brasil decidir pelas altas nos juros, que estão provocando perda de empregos. ‘‘Milhares de empregados públicos foram dispensados e outros tantos do setor automotriz também estão sem trabalho’’, diz o ‘‘Times’’.
O Brasil, acrescenta o jornal, ‘‘se depara diante da pergunta de se as pressões da economia global impõem um preço tão alto para manter a estabilidade de uma sociedade que está entre as mais desiguais do mundo.’ O jornal comenta ainda que ‘‘o que está em jogo é transcendental, porque o Brasil - o 5º maior país do mundo, com uma população maior que a da Rússia e com uma produção industrial que supera a da China - é a chave para uma América Latina mais estável e próspera’’. Segundo o ‘‘Times’’, o Brasil é um símbolo para o continente latino-americano, onde cerca de 40% da população vive na pobreza e um em cada quatro habitantes sobrevive com menos de US$ 1 por dia, segundo a ONU.
O jornal afirma ainda que o presidente Fernando Henrique Cardoso, ‘‘desesperado para evitar desvalorizar a moeda’’, está pagando o preço por adotar essa política: sua popularidade caiu abaixo de 50% pela primeira vez’’, alerta o jornal, citando pesquisas locais recentes. O ‘‘Times’’ acrescenta que o Brasil está tratando de se adaptar à globalização dentro de suas próprias limitações, mantendo sua identidade nacional e influência regional. Na matéria de mais de uma página, o ‘‘Times’’ indaga ‘‘se a política que está sendo aplicada no País, e que o governo considera irreversível, irá provocar uma maior concentração de renda, que já é muito alta, onde 20% da população detém mais de 60% da riqueza nacional’’.

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