Arquivo FolhaNova ‘estrada’O governador Mário Covas inaugura na quinta-feira a eclusa, que integra o Estado de São Paulo ao MercosulO governador Mário Covas inaugura na próxima quinta-feira a eclusa de Jupiá, em Castilho (região noroeste do Estado), ampliando para 2,4 mil quilômetros a extensão navegável na Hidrovia Tietê-Paraná. A partir do dia 16 o trecho entra em operação comercial. ‘‘O funcionamento da eclusa integra definitivamente o Estado de São Paulo ao Mercosul’’, disse o presidente da Cesp, Andrea Matarazzo. A eclusa de Jupiá permite a navegação ininterrupta entre Piracicaba (150 km de São Paulo) e Foz do Iguaçu, no Paraná.
A construção de Jupiá terminou em 17 de dezembro, dentro do cronograma previsto pelo governo paulista, e após um mês de testes será colocada em operação. Segundo Matarazzo, o custo total da construção da Hidrovia, iniciada há três anos, é de R$ 1,5 bilhão. Custo que se diluirá, frisa Matarazzo, com o transporte a um custo mais barato possibilitado pela ‘‘estrada’’ Tietê-Paraná. ‘‘Sem falar na enorme mudança nos setores industrial, agrícola, comercial e turístico’’, disse. ‘‘Só ao longo do rio Tietê, são 120 cidades cujo potencial de desenvolvimento serão ampliados’’, completou Matarazzo.
De acordo com dados da Cesp, responsável pela construção e operação da Tietê-Paraná, o investimento de empresas privadas ao longo da Hidrovia no decorrer dos três últimos anos atingiu cerca de US$ 800 milhões e a previsão é de que nos próximos 11 anos os investimentos cheguem aos US$ 6 bilhões. Para a Agência para o Desenvolvimento Tietê-Paraná (ADTP), entidade privada que promove investimentos na Hidrovia, o potencial total de negócios nos próximos cinco anos, em vários setores, é de US$ 121,58 bilhões.
O funcionamento da eclusa de Jupiá permitirá baratear o custo do transporte de carga porque um trajeto entre Santos, onde está o maior porto da América Latina, e o porto de Buenos Aires, na Argentina, poderá ser feito quase que todo por via fluvial. Por exemplo: Santos-Piracicaba (via trem) / em Piracicaba inicia percurso pelo rio Tietê / eclusa de Jupiá / rio Paraná / Foz do Iguaçu, onde ocorre um transbordo e a carga segue por uma via de 30 km que contorna Itaipu /volta ao rio Paraná, e segue rumo aos portos do Prata, em Buenos Aires.
‘‘O transporte pela Hidrovia Tietê-Paraná é muito mais barato, um estudo feito pela Cesp mostrou que é de US$ 72/tonelada o custo do transporte de carga entre Campinas e Buenos Aires, contra US$ 80/tonelada por trem; US$ 90/tonelada por caminhão e US$ 120/tonelada por mar’’, disse Matarazzo. E a economia com o custo do frete será ainda maior quando houver a plena ocupação industrial no percurso da Hidrovia. Além disso, a geração de novos empreendimentos beneficiará também os governos municipais, propiciando também a elevação da arrecadação de ICMS.

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