O Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou ontem o ''TI Maior'', programa de desenvolvimento da indústria de software e serviços. Por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), serão investidos anualmente no setor R$ 500 milhões até 2015.
Os objetivos do governo são elevar a posição do Brasil de 7º para 5º lugar no ranking mundial de TI e multiplicar as exportações do setor de US$ 2,4 bilhões, registrada em 2011, para US$ 20 bilhões, até 2015.
O programa pretende ainda elevar de 4,4% para 6% a participação de TI no PIB nacional, de um valor de US$ 102 bilhões para algo entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões. O plano busca ampliar a geração de 1,2 milhão de empregos no ano passado para 2,1 milhões até 2015.
O diretor da Divisão de Simuladores do Grupo Oniria, Nicholas Bender Haydu, destacou que o plano incentiva as start-ups (empresas de tecnologia em fase inicial de desenvolvimento). ''Investir em pesquisas nestas empresas é uma aposta acertada do governo. Normalmente, as verbas para a TI são revertidas só para as universidades'', explica. A intenção é investir R$ 40 milhões para acelerar 150 empresas de software e serviços de TI até 2014, sendo 25% para start-ups internacionais localizadas no Brasil.
Haydu também ressalta o objetivo estratégico do plano de aumentar a exportação de software. ''Temos uma balança comercial muito dependente das commodities, que têm baixo valor agregado, enquanto os softwares apresentam altíssimo valor'', declara.
O empresário diz que o plano ''parece muito interessante'', mas discorda do protecionismo estabelecido por ele. Nas licitações públicas, as empresas brasileiras certificadas poderão apresentar preço até 10% maior que as estrangeiras e serão consideradas vencedoras. ''Não precisamos de protecinomismo. Tem de haver livre concorrência'', afirma. .
Vice-presidente do Sindicato da Indústria de Informática (Sinfor) do Paraná, Marcus von Borstel, diz que o plano tem o mérito de ''conscientizar a sociedade brasileira sobre a importância que o setor de TI alcançou''. Para ele, o risco é de o governo não implementar as medidas. ''Torcemos para que sejam implementadas'', declara.
Outro ponto importante do plano, segundo von Borstel, são os investimentos previstos para a formação da mão de obra. ''Estima-se que o setor necessita hoje de 100 mil profissionais'', diz ele, que também é vice-presidente da Assespro no Paraná.
Setoriais - Os investimentos até 2015 foram segmentados por área da seguinte forma: R$ 25 milhões para educação, R$ 42,5 milhões para defesa e segurança cibernética, R$ 30 milhões para saúde, R$ 39,2 milhões para petróleo e gás, R$ 21 milhões para energia, R$ 55 milhões para o setor aeroespacial e aeronáutico.
Ainda pretende-se investir R$ 12 milhões para eventos esportivos, R$ 20 milhões para agricultura e meio ambiente, R$ 18 milhões para finanças, R$ 13 milhões para telecomunicações, R$ 12,6 milhões para mineração, R$ 40 milhões para computação em nuvens, R$ 43 milhões para mobilidade, internet e jogos digitais, R$ 50 milhões para computação avançada de alto desempenho e R$ 10 milhões em software livre. (Com Agência Estado)

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