A profissão de nível superior que mais gerou vagas entre o início de 2009 e o fim de 2012 foi a de analista de tecnologia da informação (TI), com 49,5 mil postos de trabalho, ou 16% dos 304,3 mil gerados para graduados no período no País. No nível técnico, a área campeã foi saúde, com quase 100 mil, ou um quarto dos empregos formais criados nos três anos. Os números são de um estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que pode servir de orientação para a escolha ou recolocação profissional de estudantes ou trabalhadores.
Os cargos profissionais com maior valorização nos três anos da pesquisa são perito criminal, com 523,7% e salário de R$ 7.793,91, administração em segurança, com 174,4% e R$ 6.874,97, e auditores fiscais da previdência social, com 86,2% e R$ 2.582,65. A área com pagamentos mais elevados, porém, continua a ser medicina, com R$ 8.459,45. Vale lembrar que a metodologia adotada pelo Ipea usa a média para jornadas de 44 horas semanais, o que leva a uma adaptação nos valores caso o tempo trabalhado seja menor.
As variações foram inferiores para o nível técnico, com liderança para os 51,1% de operadores de fotografia, cinema e TV e salários médio de R$ 2.046,16, 41,6% para inspeção e fiscalização administrativa e R$ 1.770,20 e 29,3% para laboratório e R$ 1.952,94.
Apesar do bom momento vivido no mercado de emprego no País, a professora de economia do trabalho Katy Maia, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirma que falta qualificação à mão de obra. Ela diz que políticas para elevação do salário mínimo e dos ganhos de famílias de baixa renda foram bem sucedidas, mas a deficiência de produtividade prejudica a competitividade das empresas. "Aí, a gente perde no PIB (Produto Interno Bruto), nas exportações. Melhorou o rendimento, mas não o produto do trabalho."
Ela considera que o setor de serviços continua a ser o que mais usa mão de obra, o que garante o bom momento vivido pelo País. Cita ainda o crescimento da quantidade de empregos, principalmente com carteira assinada, mas lembra que, ao se dividir o mercado por setores, a indústria vai mal. Por isso, pede uma reforma urgente na educação, já que o resultado ainda demoraria muito tempo para ser sentido. "É preciso entender que qualificação é investimento, e não um gasto. Não é só o governo ou o empresário que precisa fazer isso, mas o trabalhador tem de procurar opções", diz Katy.

Escolha
O analista de processos Otavio Benis Lessa, que trabalha na Atos de Londrina, afirma que o mercado de serviços de TI na cidade tende a crescer. Ele escolheu a área porque percebeu que o segmento está em transformação na região, com a chegada de grandes empresas. "A área de TI requer profissionais de gestão e essa é a minha área."
O conhecimento de Lessa sobre TI veio todo de funções anteriores no mercado, mas ele decidiu se especializar porque vê a chance de crescer na carreira. "É um setor que está em constante mudança, com criação de novas ferramentas, então é bem promissor."

Imagem ilustrativa da imagem TI soma 16% das vagas abertas em três anos
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