A qualidade do sistema de plantio direto no Paraná, que já foi referência na aplicação da técnica no País, vem caindo. Na região Oeste do Estado, por exemplo onde a soja da safra 2015/16 começa a emergir, a palhada já não consegue mais cobrir totalmente o solo. Com o objetivo de sanar este problema e fomentar a conservação do solo, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), elevou de R$ 170 mil para R$ 210 mil o teto para recursos direcionados para cada microbacia.
Para 2015, a expectativa é aplicar em torno de R$ 6,3 milhões em pelo menos 30 projetos de microbacias, que já estão selecionados e que devem beneficiar em torno de 1.500 produtores rurais em todo o Estado. No ano passado, de acordo com a Seab, foram contemplados 34 projetos de microbacia a um investimento de R$ 6,5 milhões, recursos provenientes do Banco Mundial. Vale lembrar que o programa serve de apoio ao agricultor, já que o custo de recuperação de uma microbacia pode ser muito mais muito alto do que o teto estabelecido pelo governo.
Osmar João Bertol, coordenador do programa de microbacias do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), afirma que a recuperação de uma microbacia pode chegar a R$ 1 milhão, dependendo dos trabalhos que necessitam ser realizados na área. Para cobrir esses gastos, afirma o especialista, o Estado conta com o apoio das prefeituras municipais e também do setor privado. Bertol observa que a qualidade do plantio direto está ruim em todo o Estado.
Ele afirma que o objetivo do programa de microbacias é trazer a sustentabilidade para a agricultura paranaense. Bertol destaca que melhorar a qualidade do plantio direto é uma das etapas do processo de recuperação que também visa a adequada construção dos terraços e manter a boa estrutura das estradas rurais.
Na opinião do especialista, uma das formas de melhorar a cobertura do solo com palhada é a rotação de cultura. As combinações em uma mesma área são muitas, a exemplo do plantio de grãos com pastagem. "No mundo todo o solo está sendo degradado, tanto é que 2015 foi estabelecido como o ano internacional do solo", destaca o especialista do Emater.
Julio Franchini dos Santos, pesquisador da Embrapa Soja, afirma que um plantio direto mal feito atinge diretamente o bolso do agricultor. Ele explica que um solo exposto tem a temperatura de superfície elevada. Por causa disso, há uma baixa retenção de umidade, o que prejudica a germinação das sementes.
Além disso, o baixo índice de palhada deixa a lavoura mais suscetível à erosão. "Com isso, o produtor perde a camada mais fértil do solo", destaca Santos. Com a "lavagem" de nutrientes, o agricultor se vê obrigado a repor minerais caros, a exemplo do fósforo e do potássio. "Reposição sai caro", destaca o pesquisador da Embrapa Soja. A erosão também pode elevar os índices de replantio, completa Silva.

Produção

Com mais de 51% da safra 2015/16 de soja já plantada, contra 38% da área semeada no mesmo período do ano passado, o Paraná espera colher nesta safra 17,98 milhões de toneladas de soja, 6% a mais no comparativo com o mesmo período do ano passado, quando foram colhidos 16,95 milhões de toneladas dos grãos. A área a ser plantada neste período está estimada em 5,23 milhões de hectares, contra 5,10 milhões de hectares semeados no ciclo 2014/15. Marcelo Garrido, economista do Departamento de Economia Rural (Deral), afirma que as boas condições do clima neste ano têm propiciado o avanço da semeadura da soja.

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