O taxista Gilberto Gonçalves e o vendedor de lanches Nilson dos Reis não compareceram à promotoria de Defesa do Consumidor para prestar esclarecimentos sobre o caso dos donos de postos que coagiram o proprietário do posto Tiradentes, em Londrina, a reverter a redução dos preços de combustíveis nesta semana. A audiência aconteceria ontem, às 13h30. As testemunhas não foram intimadas mas convidadas a comparecer ao Fórum.
Ontem pela manhã, Gonçalves e Reis receberam ameaças feitas por um telefone público e desistiram da audiência. Ao todo, os taxistas do ponto receberam três telefonemas. ‘‘A pessoa não se identificou e disse que era melhor eu não me envolver. Disse que eles estavam querendo comprar o posto e que nada demais aconteceu.’’
Reis também recebeu um telefonema ontem de um homem dizendo que só tinha ido ao posto para tentar comprá-lo e não para fazer pressão para reverter os preços. ‘‘Eu já tenho muito problema para resolver. É melhor deixar isso pra lá, já que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco’’, disse.
Apesar dos funcionários do posto Tiradentes não quererem se manifestar sobre o assunto, eles afirmaram que o posto realmente está à venda mas que o grupo de empresários não foi ao local para negociar a compra do estabelecimento. O proprietário do posto não foi encontrado pela reportagem.
Na última quarta-feira, o Posto Tiradentes baixou seus preços para R$ 0,99 (álcool) e R$ 1,70 (gasolina). Três horas depois o posto foi obrigado a voltar a operar com os valores de R$ 1,07 e R$ 1,77, respectivamente, por causa da coação de cerca de dez donos de postos que invadiram o local e chegaram a fechar uma bomba.
O promotor substituto de Defesa do Consumidor, Luiz Belinetti, afirmou que vai estudar as medidas cabíveis. O coordenador do Procon em Londrina, Martiniano Tito Valle, entrou ontem com requerimento junto ao Ministério Público Federal pedindo a instauração de um inquérito para a apuração de existência de formação de cartel no setor.
Ontem, o dono do Posto Manancial, Ilson Gomes, sofreu pressão semelhante ao tentar reduzir o preço de R$ 1,06 para R$ 1,04 no álcool e R$ 1,76 para R$ 1,74 na gasolina. ‘‘Um grupo de empresários veio ao posto dizer que se eu mantivesse o preço abaixo da média da cidade, outros postos iriam reduzir o combustível ao preço de custo para quebrar a revenda. Não tive escolha a não ser subir o preço de novo’’, afirmou.

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