São Paulo - Desconfie da palavra higienizado na hora de comprar vegetais. Esse é o conselho do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que fez um teste com 25 amostras de hortaliças e outros vegetais desinfetados industrialmente e reprovou 9 delas. Motivo principal: presença de coliformes fecais nos produtos. O alerta foi divulgado esta semana, durante entrevista coletiva na sede do órgão.
Para Sezifredo Paz, coordenador-executivo do Idec, a situação detectada no levantamento é inadmissível - não apenas por causa do risco à saúde. ''Além de adquirirem um vegetal teoricamente pronto para consumo, as pessoas compram tais produtos exatamente porque acreditam que eles sejam mais seguros'', argumenta Paz.
A suposta relação custo-benefício é facilmente desmentida por meio de outro dado da pesquisa: a diferença de preço entre o produto comum e o higienizado pode chegar a 2000%. A reprovada cenoura orgânica da empresa Horta&Arte, cujo pacote custa R$ 5,40, figura como a amostra mais cara no grupo de cenouras. ''O Idec não quer acabar com a categoria, mas também não confia no produto. Se o consumidor fizer uma avaliação racional, chegará à conclusão de que não é vantajoso comprar vegetais higienizados'', afirma Paz.
''O maior problema é que os fabricantes do setor carecem de profissionalização e de sistemas de qualidade'', acredita Murilo Diversi, técnico responsável pelo teste do Idec. Segundo Diversi, é recomendável a adoção do sistema Avaliação de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) e a obtenção de certificados como o Boas Práticas de Fabricação (BPF), ambos concedidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Os vegetais testados pelo Idec foram escolhidos de acordo com sua importância na alimentação do brasileiro, sua presença nas gôndolas dos supermercados e a dificuldade tecnológica na higienização. Assim, foram recolhidas sete amostras de agrião, nove de alface e outras nove de cenoura - selecionadas a partir de uma pesquisa de mercado com 162 produtos de 12 fabricantes no Estado de São Paulo.
O teste foi em março, no laboratório do Instituto Adolfo Lutz. Os alimentos analisados foram adquiridos em supermercados, hipermercados, mercados, sacolões e feiras-livres de São Paulo e da Grande São Paulo.
Além do preço e da qualidade, foi analisada também a rotulagem dos produtos. Segundo Diversi, um rótulo completo deve ter o nome ou a razão social do fabricante, indicação do conteúdo da embalagem, endereço completo da empresa, CEP, Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), validade, número de lote, forma de conservação e a indicação de um Serviço de Atendimento ao Consumidor.
O resultado final da pesquisa foi considerado insatisfatório pelo órgão. ''Numa classificação de 'muito ruim' a 'muito bom', nenhum dos produtos passou de 'bom''', explica Diversi.

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