Rondonópolis A polêmica medida provisória editada no dia 27 de março pelo governo federal, que autoriza a venda da soja transgênica gaúcha no mercado interno, mediante a rotulação da mercadoria, deve incrementar o setor que produz material para testar a presença de oganismos geneticamente modificados (OGM) no mercado.
A Agrosystem, de Ribeirão Preto, por exemplo, importou a tecnologia norte-americana EnviroLogix Inc. que permite o diagnóstico rápido de OGM em carga de soja. Carlos Henrique Jacintho Andrade, diretor da empresa, adiantou que a demanda por testes tem aumentado por exigência dos compradores de países que dão preferência ao produto convencional.
Andrade, que esteve em Rondonópolis (MT) expondo o kit do teste na Agrishow Cerrado, realizada entre os últimos dias 8 e 12, disse que em 2002, quando o produto foi lançado no mercado brasileiro, foram vendidos 150 kits com 100 tiras - unidade que permite fazer a amostragem da carga. A expectativa é comercializar 1,2 mil kits neste ano. Cada um vale entre US$ 380 e US$ 450, dependendo do volume adquirido.
O empresário explicou que o procedimento é rápido e seguro: mistura-se um grama de grãos moídos com 5 ml de água. Espera-se a decantação do produto e retira-se 0,5 ml da parte de cima da solução que é colocada em um tubo de ensaio. Em seguida, a tira, que contém proteína R.R., é mergulhada na mistura. Em três minutos o resultado fica pronto. Se aparecerem duas linhas na fita significa que o lote contém soja Roundup Ready, da Monsanto, que também fornece a maior parte da proteína para os testes, segundo Andrade.
Andrade esclarece que, além dos custos com o material para os testes ainda há gasto com a certificação das cargas, que é feita por quatro certificadoras homologadas pelo Ministério da Agricultura. Apenas uma é nacional. O empresário diz que, atendendo exigência dos clientes, as exportadoras se encarregam dos testes. Por isso, não há custos para o agricultor. Ao contrário, segundo Andrade, no caso da soja convencional, o produtor recebe adicional de 4% sobre o valor praticado pelo mercado.
Andrade calcula que a demanda potencial do mercado brasileiro é de 100 mil kits de testes para soja transgênica, dos quais 10 mil apenas no Rio Grande do Sul, onde se estima produção de 5 milhões de toneladas de soja transgênica. O gasto pode variar entre US$ 38 milhões e US$ 45 milhões.
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