Tesouro volta a vender títulos prefixados
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
Brasília Pela primeira vez desde abril, o Tesouro Nacional vendeu ontem um lote de 500 mil títulos com correção prefixada, as Letras do Tesouro Nacional (LTNs). Apesar do volume pequeno, a venda tem significado especial para o Tesouro, que considera as LTNs o melhor título para a administração da dívida pública. O Tesouro interrompeu a oferta dos prefixados no ano passado, por conta da instabilidade no mercado financeiro.
''O leilão foi um sucesso'', comemorou o secretário-adjunto do Tesouro, José Antônio Gragnani, que concedeu entrevista poucos minutos após a divulgação do resultado. Para ele, o leilão refletiu a confiança que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está passando para a sociedade e os investidores.
Segundo Gragnani, a procura dos investidores pelas LTNs, com prazo de vencimento em outubro, foi forte. Com o resultado de ontem, Gragnani disse que a intenção do Tesouro é voltar a ofertar esse papel no próximo leilão. Ele afirmou que, mesmo com o mercado ainda instável, o papel prefixado é melhor para o perfil da dívida pública. Na sua avaliação, o título prefixado ''ajuda na política monetária mais austera''.
Como a taxa a ser paga pelo Tesouro é definida na hora do leilão, não há risco para o Tesouro, caso a taxa de juros sofra uma elevação pelo Banco Central antes do vencimento do papel. Por isso, em momentos de alta turbulência na economia e volatilidade nos mercados, o custo dos prefixados sobe muito e o Tesouro acaba preferindo não ofertá-los.
Alongamento O secretário-adjunto destacou ainda a forte demanda dos investidores pelo lote de LFTs (títulos pós-fixados corrigidos pela taxa Selic) com prazos mais longos, também ofertados ontem. O Tesouro vendeu 3,5 milhões de LFTs com três prazos de vencimentos: setembro e dezembro de 2003 e maio de 2004. A venda das LFTs proporcionou um caixa de R$ 5,4 bilhões. Segundo Gragnani, a procura foi maior pelos papéis mais longos, que corresponderam a 67% do total de títulos vendidos. A procura pelos papéis com vencimento em maio de 2004 significa segurança por parte dos investidores, ressaltou o secretário.
''Está existindo agora uma tranquilidade para alongar o prazo'', afirmou. Os preços também caíram. As LFTs com vencimento em setembro, que foram vendidas ontem com deságio de 0,08% ao ano, tiveram deságio de 0,21% no leilão da semana passada. O papel com vencimento em dezembro, no leilão da semana passada, foi vendido com deságio de 0,45%, caindo ontem para 0,35%. A LFT com vencimento em maio também saiu mais barata. Na semana passada, teve deságio de 0,90% e, agora, de 0,85%.


