Tesouro vai socorrer Caixa
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quinta-feira, 30 de novembro de 2000
Agência Estado Do Rio 
O presidente da Caixa Econômica Federal, Emílio Carazzai, disse ontem que é inevitável que o Tesouro Nacional coloque recursos na Caixa Econômica Federal (CEF), ao responder a uma pergunta sobre se o Tesouro precisaria injetar recursos na Caixa, como fez em março de 1996 com o Banco do Brasil. Na época, o Tesouro injetou R$ 6,6 bilhões no Banco do Brasil.
Carazzai afirmou que não é possível dar agora um número de quanto seria necessário aportar na Caixa, porque isso, segundo ele, depende de conversações que estão ocorrendo entre o Banco Central e o Tesouro Nacional. Queremos fazer um serviço completo, disse o presidente da instituição. O que faz sentido fazer com os depósitos judiciais? O que faz sentido fazer com os créditos (da Caixa) com o Tesouro?, exemplificou como algumas das questões que serão vistas para decidir quanto será aportado. O governo vai examinar passivo e ativo e ver o que sobra como uma eventual necessidade de capital, informou Carazzai.
Ele lembrou que a Caixa é 100% do Tesouro Nacional e explicou que, como as regras para provisionamento para créditos duvidosos foram alteradas pela Resolução 2682, do Conselho Monetário Nacional, aplicada a partir dos balanços deste ano, as provisões da Caixa deixaram de ser suficientes e apareceu um déficit potencial. Ele disse que para manter suas funções e políticas públicas, a Caixa precisa de uma reestruturação de seu capital social.
Carazzai defendeu que o debate em torno dos bancos estatais, assim como o do salário mínimo, precisa considerar as fontes de recursos adequadas para os serviços prestados por essas instituições. Ele deu essas declarações em entrevista logo após dar palestra sobre o papel dos bancos públicos no seminário sobre a regulamentação do artigo da Constituição que trata do sistema financeiro, o de número 192.
Durante a palestra, Carazzai defendeu que o Orçamento da União contenha recursos para subsidiar as políticas desenvolvidas pelos bancos estatais, como crédito habitacional, pela Caixa, e agrícola, pelo Banco do Brasil, e que esses subsídios sejam mostrados claramente.


