Para cumprir a meta fixada pelo próprio governo central, de concluir o ano com um superávit primário (receita menos despesas) de R$ 5 bilhões, o Tesouro Nacional precisa gerar um total de R$ 12 bilhões em 1998. Tamanho esforço é necessário, porque o déficit da Previdência será de R$ 7 bilhões. E a façanha só poderá ser realizada, porque entrarão R$ 5,3 bilhões da venda da Telebrás.
Até maio passado, o Tesouro Nacional (que junto com a Previdência e o Banco Central integram o governo central) tinha gerado uma receita de R$ 4,9 bilhões. Se esse dinheiro for usado para cobrir o déficit previdenciário, mesmo assim sobram R$ 2,1 bilhões a serem pagos.
Logo, o Tesouro precisará obter uma receita de R$ 7,1 bilhões, entre junho e dezembro, se quiser saldar essa dívida e ainda obter o prometido superávit de R$ 5 bilhões. Isso significa gerar, em média, R$ 1 bilhão ao mês - algo difícil, tendo em vista as perspectivas de desaquecimento da economia, que levará a uma queda nas arrecadações.
Apesar de não querer dar números, o Secretário do Tesouro, Eduardo Guimarães, disse que a receita de agosto (ainda não anunciada) será alta. O motivo é a entrada dos R$ 5,3 bilhões da privatização do sistema de telecomunicações, Telebrás.
A soma equivale a praticamente a metade dos R$ 12 bilhões que o Tesouro precisaria arrecadar, ao longo de 1998, e mais de dois terços do déficit da Previdência.
Para obter esses R$ 12 bilhões, o Tesouro também calculou que precisará cortar R$ 4 bilhões dos gastos previstos para os últimos meses deste ano. O governo assegura que desta vez será diferente do que em novembro passado (quando também anunciou uma redução de gastos, sem no entanto cumprí-la). ‘‘Estamos cortando gastos que haviam sido anunciados em janeiro, foram reconfirmados em junho, e estão por ser feitos agora, nesses últimos quatro meses’’, disse Guimarães.

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