Tesouro teve déficit nas contas de março
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de abril de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - As contas do governo federal apresentaram um déficit de R$ 609 milhões no mês de março, pelo conceito nominal. O resultado foi anunciado ontem pelo secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guimarães. Embora o desempenho tenha sido satisfatório, vale a pena chamar a atenção de que ele foi pior do que o de março do ano passado, disse o secretário. A causa é a queda na arrecadação de impostos e contribuições, decorrente de mudanças nas regras do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).
As receitas de março totalizaram R$ 9,328 bilhões, enquanto as de março de 1996 haviam somado R$ 11,104 bilhões. No ano passado, houve uma concentração de recolhimentos neste mês, o que, neste ano, ocorrerá a partir de abril. Podemos esperar resultados melhores para abril, maio e junho, comentou Guimarães.
As despesas com pessoal, investimentos e transferências a estados, municípios e outros órgãos do governo somaram R$ 7,845 bilhões, um valor 12,7% maior do que o gasto em março do ano passado. As despesas com pessoal permaneceram na faixa de R$ 3 bilhões mensais.
A diferença no valor dos gastos se explica pelo crescimento dos valores repassados pelo Tesouro ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), onde os valores saltaram de R$ 341 milhões para R$ 884 milhões. Houve, segundo Guimarães, uma maior demanda por recursos para atender às linhas de crédito do BNDES.
Os gastos com juros reais somaram R$ 948 milhões em março passado, um valor semelhante ao de 1996. Mas os gastos com correção monetária praticamente triplicaram, saltando de R$ 493 milhões para R$ 1,144 bilhão. A dívida cresceu, por isso aumentou o gasto com correção monetária, explicou o secretário. No ano passado, a dívida líquida interna e externa somavam R$ 102 bilhões, mas agora o total é de R$ 139 bilhões.
Os números de março mostram uma redução na velocidade de queda da taxa de juros paga pelo Tesouro Nacional. A taxa média foi de 1,59%, o que representou praticamente uma estabilização com relação a fevereiro, quando a taxa foi de 1,6%.


