Tesouro teve déficit de R$ 9,4 bi em 96
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quinta-feira, 16 de janeiro de 1997
Agência Folha 
de Brasília
Arquivo FolhaCofre vazioEduardo Guimarães, secretário do Tesouro, anunciou déficit de R$ 1,5 bilhões nas contas de dezembroO déficit de caixa do Tesouro Nacional em 96 superou em 111,5% o resultado negativo de 95. No ano passado, as despesas superaram as receitas em R$ 9,412 bilhões. No ano anterior, essa mesma conta ficou em R$ 4,45 bilhões. O secretário do Tesouro, Eduardo Guimarães, disse que o aumento do pagamento de juros reais - acima da inflação - foi o item que mais influenciou negativamente o resultado de caixa.
Em 95, essa despesa foi R$ 13,402 bilhões, e em 96, ela subiu para R$ 16,567 bilhões. Em dezembro de 96, o Tesouro teve um déficit de R$ 1,494 bilhão. Esse foi o quarto pior resultado no ano. Pelo critério de necessidade de financiamento, as contas do Tesouro também pioraram.
No resultado primário - que exclui o pagamento de juros -, houve um superávit acumulado no ano de R$ 2,947 bilhões. Em 95, o acumulado foi R$ 3,865 bilhões. Em relação ao PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no País), o resultado primário caiu de 0,51% para 0,38% no período. Incluindo o pagamento de juros, o resultado ficou negativo em R$ 9,77 bilhões.
Excluindo o
pagamento de
juros, houve
superávit
Em 95, ele foi um pouco pior, R$ 10,53 bilhões no vermelho. A diferença entre essas metodologias é que no critério de caixa são considerados os gastos efetivamente feitos no mês. Assim, se o governo concede um empréstimo a produtores rurais, o desembolso é considerado como despesa pelo critério de caixa. Na outra metodologia, é computado o custo desse empréstimo (diferença entre os juros que o governo cobra e os juros dos títulos que o Tesouro emite para obter os recursos para esse empréstimo).
As despesas do governo subiram quase R$ 2 bilhões de 95 para 96. Elas tiveram um aumento superior ao das receitas, 1,9% e 0,9%, respectivamente. Eduardo Guimarães disse que houve um crescimento geral de despesa, principalmente com a área da saúde. Por causa da frustração da arrecadação, que tinha uma previsão inicial de R$ 113 bilhões, o governo teve que conter as autorizações para liberação de recursos.
Pelo critério de necessidade de financiamento, as receitas chegaram a R$ 94,64 bilhões e as despesas, a R$ 91,698 bilhões. O secretário disse que a meta para este ano é chegar a um superávit primário das contas públicas de 1,5% do PIB. Esse resultado seria, segundo ele, composto por um resultado positivo de 1% nas contas do Tesouro Nacional e 0,5% das empresas estatais.


