Os recursos da privatização continuam fortalecendo o caixa do governo e, em agosto, garantiram um superávit primário (receita menos despesas) de R$ 1,27 bilhão. Este superávit, no entanto, foi insuficiente para cobrir os R$ 1,604 bilhão que o Tesouro Nacional gastou com o pagamento dos juros das dívidas interna e externa provocando, assim, um déficit operacional (que incluiu as despesas com os encargos financeiras) de R$ 333 milhões no mês passado.
Os dados foram divulgados ontem pelo secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guimarães, que focalizou sua análise no fato de que agosto foi o sétimo mês consecutivo com um superávit primário nas contas do governo. Mas o esforço de acumular superávits primários está sendo minado pelas elevadas despesas com os juros. No período de janeiro a agosto, enquanto o superávit somou R$ 6,1 bilhões, a conta de juros alcançou R$ 10,07 bilhões.
O resultado é que, no ano, o déficit operacional acumulado é de R$ 3,95 bilhões. Este aumento das despesas com juros (35,2% em termos reais, descontada a inflação, na comparação dos oito meses deste ano em relação a igual período do ano passado) é consequência da política do governo de não reduzir as taxas de juros na mesma velocidade da queda dos índices de inflação.
A análise das contas do Tesouro Nacional é feita com base no conceito primário, operacional, nominal e o de caixa.

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