Tesouro tem R$ 50 bi em caixa
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terça-feira, 21 de janeiro de 2003
Agência Estado 
O Tesouro abre o ano com uma situação confortável de caixa. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, o chamado ''colchão de liquidez'' já acumula cerca de R$ 50 bilhões, quando na virada do ano essa reserva de recursos para pagamento de dívidas estava em R$ 42 bilhões.
Com os dois leilões realizados pelo Tesouro este mês, o valor subiu. ''Emitimos cerca de R$ 10 bilhões, amortizamos R$ 2 bilhões, o que acrescenta ao colchão mais R$ 8 bilhões'', explicou Levy.
O Tesouro Nacional e o Banco Central estão acompanhando, diariamente, as condições do mercado financeiro internacional para a abertura das captações soberanas de 2003. Levy ressaltou, entretanto, que não há, no governo, pressa para realizar a primeira emissão de títulos da República no mercado externo este ano. ''Temos tranquilidade, reservas e um câmbio favorável'', disse o secretário, em entrevista exclusiva à Agência Estado.
Segundo Levy, as conversas com o Banco Central têm sido frequentes sobre o assunto. As captações só serão feitas ''quando chegar o momento propício''. De acordo com os dados do Banco Central, estão previstos para 2003 o vencimento de US$ 4,676 bilhões de principal de dívidas externas. As emissões de títulos da República visam, usualmente, cobrir esse valor, não considerando, portanto, o vencimento de juros. Em juros da dívida externa, o governo central terá de pagar em 2003 cerca de US$ 5,8 bilhões.
A última captação externa foi feita pelo governo federal em abril de 2002. Os diversos choques vividos pela economia brasileira e internacional ao longo do ano passado, intensificados a partir do final do primeiro semestre, praticamente inviabilizaram qualquer captação externa do Brasil após aquele mês.
As condições em 2003 já se mostram bem melhores do que as registradas no ano passado. Neste mês uma série de bancos e empresas privadas já inauguraram as captações externas, num sinal claro de que os investidores internacionais estão reduzindo, gradativamente, sua aversão às empresas e governos dos chamados mercados emergentes.
O secretário destacou ainda o aumento da demanda dos investidores pelos títulos do Tesouro. Para ele, uma importante sinalização de confiança dos investidores foi a compra de papéis com prazos mais longos ocorrida no leilão da semana passada, quando foram vendidos papéis que vencem em 2004. Outro sinal positivo apontado pelo secretário tem sido a queda consistente do deságio dos títulos vendidos. Para ele, essa queda tem sido rápida.


