Brasília - Um dia após publicar decisão que limitava o poder de compra de dólares do Tesouro Nacional, o Banco Central (BC) voltou atrás e anunciou ontem que o governo pode comprar a moeda para pagar dívidas com até 1.500 dias - cerca de quatro anos - de antecedência. Na quinta-feira, foi anunciado que o prazo seria menor, de 1.100 dias ou três anos.
Com a mudança, o BC passa a ficar alinhado com o Conselho Monetário Nacional (CMN) que, no meio da semana, aumentou o poder de fogo do governo para tentar minimizar o efeito da entrada maciça de dólares no Brasil. Com o argumento de que o Tesouro Nacional repassou novas informações, o BC optou por ampliar o prazo para as compras de dólar. ''Com base em novas informações sobre o fluxo de obrigações do Tesouro'', explica a assessoria de imprensa do BC, decidiu-se por ampliar o período para as compras para 1.500 dias.
Com a autorização para comprar dólares para as dívidas que vencem nos próximos quatro anos, o Tesouro pode adquirir até US$ 10,7 bilhões. Essas compras são feitas via Banco do Brasil, que compra no mercado como se estivesse fazendo uma operação para um investidor qualquer. Para o Ministério da Fazenda, essa atuação ''silenciosa e sem alarde'' garante menor previsibilidade para essas intervenções.
Nos leilões diários do BC, a lógica é diferente e o mercado é avisado publicamente que a instituição vai comprar a moeda. A avaliação da equipe econômica é de que, embora o volume potencial de compras não seja elevado em comparação ao tamanho do mercado, o efeito ''surpresa'' do Tesouro ajuda a controlar mudanças mais fortes da taxa de câmbio.

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