Agência Estado
BRASÍLIA - O caixa do Tesouro Nacional registrou em outubro um déficit de R$ 1,008 bilhão. Dessa forma, o saldo de caixa negativo acumulado no ano já chega a R$ 6,390 bilhões. Os itens de despesa que mais pressionaram pelo déficit foram pessoal e juros. Além disso, houve uma liberação extraordinária de R$ 500 milhões, pagos aos governos estaduais e municipais a título de adiantamento por eventuais quedas de arrecadação provocadas pela nova lei do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
As despesas ocorridas em outubro totalizaram R$ 2,801 bilhões, um valor 33,1% maior do que o de setembro. Isso ocorreu porque os gastos com pessoal foram 15,7% maiores em outubro. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Murilo Portugal, alguns órgãos do governo haviam atrasado o pedido de recursos para salários em setembro e, por isso, os pagamentos se concentraram em outubro, somando R$ 6,554 bilhões.
Houve também um crescimento de 91,7% nos gastos com juros, na comparação entre setembro e outubro. Os pagamentos com dívidas externa e interna chegaram a R$ 2,015 bilhões, dos quais R$ 1,288 bilhão são referentes a vencimentos semestrais dos títulos da dívida externa, emitidos na renegociação feita sob as regras do Plano Brady.
Pelo conceito operacional, o déficit foi de R$ 1,271 bilhão. Há algumas diferenças entre o cálculo do resultado de caixa e o operacional. A principal delas é a forma de contabilização dos juros. Enquanto o resultado de caixa leva em conta os valores efetivamente desembolsados no mês, o operacional considera o valor de competência, ou seja, relativo ao mês, mas não necessariamente pago.
Em função do déficit operacional, o Tesouro Nacional precisou aumentar seu endividamento em termos reais. Em outubro, a dívida pública mobiliária (em títulos) cresceu 1,9% em termos reais. ‘‘A dívida cresceu porque foi necessário financiar o déficit operacional’’, disse Portugal.

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