Brasília - O Tesouro Nacional trabalha com a possibilidade de um aumento significativo da dívida do governo federal no mercado (interno e externo) em 2003, o que pode elevar o endividamento para até R$ 1,020 trilhão, segundo dados divulgados ontem.
Caso a dívida alcance esse número, o crescimento em relação a 2002 será de R$ 126,7 bilhões ou 14,2%. Entre 2001 e 2002, essa dívida aumentou 12,6%.
Ontem, o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, divulgou suas projeções para a dívida este ano. Segundo ele, os cenários traçados já incluem a eclosão de uma guerra no Oriente Médio.
O aumento da dívida está relacionado à redução do excesso de dinheiro existente no mercado atualmente. No ano passado, por causa da crise de confiança dos investidores no governo, o Tesouro teve de retirar títulos do mercado, pagando aos detentores dos papéis.
Agora, o Tesouro espera emitir mais títulos, reduzindo o volume de papéis de prazo curtíssimo que vêm sendo usados pelo Banco Central para diminuir o excesso de dinheiro no mercado.
Levy explicou que a guerra não necessariamente afetará a gestão da dívida se ela for curta. ''A dívida é a poupança das pessoas. Você não vai deixar de poupar porque há guerra. Pelo contrário, provavelmente você nem vai gastar'', comentou. O secretário lembrou ainda que o Tesouro tem reservas de R$ 50 bilhões.
Mas a guerra pode reduzir a possibilidade de queda nas taxas de juros, o que é um cenário adverso para a emissão de papéis prefixados, por exemplo. Esses papéis têm sua correção negociada no momento da venda. Portanto, se os juros estiverem subindo os investidores não querem o título.
Para o Tesouro, porém, é melhor ter títulos prefixados na carteira justamente para reduzir a volatilidade. Na programação anunciada ontem, a idéia é elevar a participação de prefixados na dívida interna de 2,2% do total para até 15%.

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