Tesouro poderá utilizar R$ 10 bi para as dívidas
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sexta-feira, 16 de agosto de 2002
Agência Estado 
Brasília - O colchão de liquidez do Tesouro Nacional ganhou ontem um reforço de R$ 10 bilhões. A medida provisória (MP) que autorizou a transferência de R$ 2 bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiar as exportações, também permitiu que o Tesouro utilize uma parte do seu caixa para o resgate de dívidas no montante de R$ 10 bilhões ou empreste esse dinheiro ao BNDES para que o banco financie as empresas do setor elétrico que tiveram perdas com o racionamento de energia do ano passado.
São esses recursos do colchão que permitem ao Tesouro, em momentos de turbulência do mercado, não renovar as dívidas que estão vencendo, caso o mercado esteja pedindo taxas muito altas para financiar o governo. Atualmente, o colchão de liquidez do Tesouro está em R$ 66 bilhões. Considerando que até o final do ano outros R$ 25 bilhões deverão ingressar no caixa, a reserva poderá atingir o montante de R$ 101 bilhões.
Segundo o secretário do Tesouro, Eduardo Guardia, o valor de R$ 10 bilhões representa o montante de disponibilidade do caixa do Tesouro no dia 31 de dezembro de 2001, descontados a parcela comprometida com o pagamento dos restos a pagar e os recursos com vinculação constitucional e os destinados à área social. Esse é o valor que poderá ser utilizado pelo Tesouro para financiar os empréstimos do BNDES ao setor elétrico ou abater a dívida. Esses R$ 10 bilhões se incorporam ao colchão, afirmou Guardia.
No curto prazo, o poder de fogo do Tesouro para abater suas dívidas não será aumentado em R$ 10 bilhões. Isso porque parte desses recursos deverá ser emprestada ao BNDES para que a instituição financie as empresas do setor elétrico. Esse programa para o setor elétrico prevê um financiamento total de R$ 7,5 bilhões e R$ 1 bilhão já foram liberados.


