Brasília - O secretário do Tesouro, Joaquim Levy, disse ontem que o governo decidiu não recomprar títulos da dívida externa, chamados C-Bonds, que vencem no dia 15 de abril. Pelas regras do contrato do papel, o governo teria até ontem, 30 dias antes do vencimento, para decidir se os compraria antecipadamente ou não.
No último mês, correu a especulação que o governo poderia recomprar os C-Bonds, utilizando parte das reservas que acumulou com a compra de dólares no mercado. As compras de moeda estrangeira foram efetuadas pelo governo para conter a valorização do real ante o dólar. De acordo com analistas, a recompra dos C-Bonds diminuiria o estoque da dívida externa e, portanto, teria o mesmo efeito de aumentar as reservas internacionais. O governo, porém, optou por um caminho diferente.
''A nossa avaliação foi a de que não era a melhor opção exercer a recompra'', afirmou o secretário. Ele disse que o governo fez uma análise dos preços dos C-Bonds e considerou melhor não fazer essa opção (recompra). O próximo vencimento de C-Bonds, o mais importante papel da dívida externa, ocorre em novembro. O governo poderá recomprá-los se a cotação do papel estiver acima de 100% do valor de face.
O estoque de C-Bonds é de aproximadamente US$ 5,9 bilhões. Ontem, a cotação dos C-Bonds oscilou bastante. Baixou até 101,250 centavos por dólar, quando se anunciou que o secretário do Tesouro daria uma entrevista coletiva. Minutos depois, quando o mercado foi informado que a entrevista não era sobre C-Bonds, mas sim sobre a dívida do município de São Paulo, a cotação subiu para 101,875 centavos por dólar.

mockup