Tesouro Direto seduz investidores
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terça-feira, 28 de abril de 2009
Edson Pereira Filho<br> Reportagem Local 
Em tempos de incertezas no mercado financeiro, muitos investidores discutem onde aplicar o dinheiro e como obter lucro, sem com isso correr grandes riscos. O Tesouro Direto, que são títulos do governo colocados à venda, está sendo uma das opções mais procuradas no mercado financeiro ultimamente. Só no mês passado, migraram cerca de R$ 179 milhões para este tipo de aplicação, 100,7% de aumento se comparado a março de 2008. Em fevereiro e março deste ano, fica mais evidente a procura por este tipo de investimento, havendo um crescimento substancial de 69,8% entre um mês e outro. Apesar do recorde, economistas consultados pela FOLHA afirmam que o índice de rentabilidade dos papéis do governo fica abaixo da poupança.
O detalhe é que qualquer cidadão comum pode comprar estes papéis do governo ao acessar o site do Ministério da Fazenda: www.tesouro.fazenda gov.br, clicando no link Tesouro Direto e seguir passo a passo as instruções contidas na home page. ''Qualquer pessoa física pode comprar no site. Já pessoa jurídica, só pode comprar em bancos ou corretoras'', explica Osvaldo Coutinho Filho, sócio-proprietário da O2 Invest. O investimento mínimo neste tipo de aplicação é de R$ 100,00 e o limite máximo é de R$ 400 mil por mês.
O aplicador sabe, aproximadamente, quanto renderá sua aplicação no prazo de vencimento do título. O governo tem papéis emitidos com vencimentos até 2045. Coutinho explica que o governo vende títulos para poder pagar a dívida pública diária. ''Para emprestar dinheiro do aplicador em Tesouro Direto, o governo se propõe a pagar uma taxa de juros atrativa'', esclarece Coutinho, ao acrescentar que os juros pagos têm como referência a Selic.
Os títulos do governo possuem vários nomes como Letra do Tesouro Nacional (LTN), Nota do Tesouro Nacional (NTN), Letra Financeira do Tesouro (LFT) entre outros. Cada papel comprado pelo aplicador tem destinação certa, servindo para financiar a educação, saúde, segurança, transportes etc. Dados da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) apontam que só de juros do déficit público o governo deve ao mercado financeiro cerca de R$ 1,4 trilhão.
Caso o aplicador queira resgatar em dinheiro seu título antes do prazo de vencimento, Coutinho informa que toda quarta-feira é feita a liquidação de papéis, no próprio site. ''Os juros pagos pela venda feita antes do vencimento variam de acordo com as taxas pagas no dia pelo mercado'', pontua.
Perguntado porque instituições bancárias não divulgam o Tesouro Direto, Coutinho explica que o setor bancário prefere vender seus títulos privados, os conhecidos Certificados de Depósitos Bancários (CDB) ou Recibos de Depósitos Bancários (RDB). Antes de militar como corretor na BM&FBovespa, Coutinho conta que trabalhou vários anos no setor bancário como gerente. A diferença, segundo ele, é que os bancos pegam o dinheiro do aplicador e emprestam para o mercado, por exemplo, com juros de 8,5% para o cheque especial. ''O banco empresta este dinheiro para sociedade com juros altos, como é o caso do spread bancário para que empresários possam financiar a produção ou seus negócios'', declara.
Ele esclarece ainda que, ao resgatar o dinheiro do título do governo com os respectivos juros, o aplicador paga uma determinada taxa de Imposto de Renda - dependendo do período do vencimento do título -, taxa de Custódia de 0,25% para o banco onde tem conta e taxa de 0,40% para Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). O redimento, segundo o corretor, nos últimos tempos tem se aproximado da poupança, que não cobra o IR ou taxas (veja quadro).


