Tesouro Direto rende mais que poupança


Luís Fernando Wiltemburg Reportagem local
Luís Fernando Wiltemburg Reportagem local

Em tempos de baixo rendimento da poupança e taxa Selic e inflação em alta, o investimento em títulos do Tesouro Direto, papéis emitidos pelo Tesouro Nacional cujo pagamento é garantido pelo governo, torna-se uma alternativa atrativa para o investidor conservador.
Apesar do baixo valor inicial exigido – é possível investir a partir de R$ 30 – e do retorno bem acima da poupança, a possibilidade ainda é pouco explorada em comparação a outras modalidades de investimento.
A poupança, como é comumente chamada a caderneta de poupança, é uma forma de aplicação de baixo risco. O investimento é feito depositando-se o dinheiro em uma conta e automaticamente aplicado pela instituição financeira em uma caderneta de poupança, gerando rendimentos. Os valores podem ser sacados a qualquer momento e não incide no Imposto de Renda.
Apesar dessas vantagens, o retorno é bastante baixo: em torno de 0,5% ao mês, mais a Taxa Referencial, o que resulta em cerca de 8,5% ao ano. Entretanto, quando a taxa Selic chega a este percentual ou menos, a rentabilidade da poupança cai para 70% da alíquota definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
Para quem não necessita do dinheiro investido em um curto prazo, aplicar no Tesouro Direto é mais rentável. O programa foi desenvolvido pelo Tesouro Nacional, em parceria com a BMF&F Bovespa, para permitir a aquisição de títulos públicos federais por pessoas físicas, por meio da internet.
O investimento pode ser pré-fixado, com a rentabilidade pré-determinada no momento da aquisição; indexado pela taxa Selic, cuja rentabilidade é atrelada à taxa de juros (atualmente a 14,25% ao ano); e indexado à inflação, que paga uma taxa pré-determinada acrescida da variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) anual.
O investimento em títulos do Tesouro Direto também é bastante seguro, já que o próprio governo garante a compra na data de vencimento, segundo o consultor de investimentos Raphael Cordeiro. "A poupança é garantida até o limite de R$ 250 mil por pessoa física", explica.
Isso significa que, se o banco responsável pela poupança falir – por mais improvável que isso venha a ocorrer -, este será o limite restituído pelo fundo garantidor de crédito.
O educador financeiro Rafael Seabra, autor do blog "Quero Ficar Rico", afirma que a nova regra de rendimento da poupança faz com que ela perca, em termos de rendimento, para qualquer aplicação no Tesouro Direto, em qualquer cenário.
Assim como a poupança, os títulos do Tesouro têm alta liquidez, podendo ser vendidos a qualquer momento, antes mesmo do vencimento. Esta é uma das vantagens alardeadas pelo próprio governo, mas o investidor deve ficar atento para o rendimento a ser pago nestes casos.
A venda só pode ser feito para o próprio Tesouro, que paga valores de mercado. Entretanto, à exceção do título pré-fixado, os outros papéis contam com a volatilidade da taxa Selic ou da inflação. "Nestes casos, se vender antes do vencimento, pode ter a rentabilidade maior ou menor que a contratada", avisa Rafael Seabra.
A orientação do educador financeiro é que, se o investidor não tem a certeza de que não vai necessitar do dinheiro antes do vencimento, o ideal é adquirir o pré-fixado.

PARA PESSOAS FÍSICAS

A aquisição dos títulos é feita por meio de um cadastro no site do Tesouro Direto, onde o investidor pode consultar a lista de títulos disponíveis para compra e venda, além de saldos. Entretanto, é necessário o cadastro em uma instituição financeira, que vai intermediar as transações e cobrará uma taxa de administração.
De acordo com Rafael Cordeiro, investir no Tesouro Direto é simples, mas é necessário "ser meio autodidata". Um consultor da instituição financeira pode auxiliar com orientações.

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