Títulos públicos vêm atraindo cada vez mais interessados, mas exigem conhecimento de mercado e do próprio perfil do investidor
Títulos públicos vêm atraindo cada vez mais interessados, mas exigem conhecimento de mercado e do próprio perfil do investidor | Foto: Anderson Coelho



Considerado um dos investimentos mais seguros e com rentabilidade atraente, o Tesouro Direto vem arrebanhando cada vez mais interessados. Mas comprar títulos públicos exige um pouco de entendimento de mercado, e principalmente, de conhecimento do próprio perfil de investidor, caso contrário a rentabilidade pode ir embora. "O risco de perder dinheiro no Tesouro Direto existe, não por causa do programa, mas por erros cometidos pelo investidor", alerta André Bona, educador financeiro do Blog de Valor.
Há três tipos de títulos: Tesouro Selic (LTF), os prefixados (LNT) e os indexados ao IPCA (NTNB). O Tesouro Selic é mais adequado para quem tem um perfil conservador e que busca liquidez. Com a queda de 0,25 ponto percentual da Selic definida na quarta-feira (7) pelo Copom (Comitê de Política Monetária) a correção diária deve se tornar um pouco mais lenta, mas quando resgatado no vencimento recebe-se proporcionalmente ao período que ficou aplicado.
Agora, o resgate dos títulos indexados e prefixados antes do investimento exige mais atenção para não perder dinheiro. "Os indexados ao IPCA e os prefixados sofrem impacto do mercado de juros futuros, não é tão simples considerar esse investimento para resgatar antes do vencimento. No vencimento você vai receber exatamente o que foi contratado, se você resgatar antes estará sujeito a questões de mercado, mercado de juros e a própria Selic vigente", explicou o assessor financeiro Gabriel Vansolin, sócio da Fort Investimento, escritório credenciado da XP Investimentos.
Essas modalidades acompanham a conjuntura do País para precificar o papel. Por exemplo, se a Selic ou a inflação subir, a tendência é que as taxas prefixadas aumentem e compensem a elevação desses indicadores. Já se elas caírem, provavelmente a taxa dos títulos acompanhará a queda. Essa oscilação é o fruto da marcação a mercado. As pessoas começam a perder dinheiro no Tesouro Direto quando precisam ou decidem vender seus papéis nos dias em que a marcação do título está abaixo do valor que elas investiram.
O educador financeiro aconselha que a forma mais simples de evitar a venda em momentos errados é investir em títulos de longo prazo somente quando tiver uma reserva de emergência formada. "Com esta reserva formada, você terá uma quantia guardada para quaisquer eventualidades que possam ocorrer, e não precisará desfazer de seus investimentos, correndo o risco de perder parte do valor investido. Além da reserva de emergência, você também pode optar por aplicar um valor de segurança em investimentos com alta liquidez, como o Tesouro Selic, para contornar essas situações. Neste caso, é possível resgatar suas aplicações sem risco", ensina Bona.
A especulação equivocada no Tesouro Direto também pode acarretar em prejuízo quando não são levados em conta o custo da operação - como pagamento de imposto de renda -, o lucro obtido seja inferior ao potencial futuro dos rendimentos e não analisar oportunidades melhores em curto prazo. "Ele não considera o imposto que incidirá na venda e nem as taxas que o mercado está trabalhando em outras carteiras. Vai tirar de lá e vai colocar onde? Existe uma oportunidade melhor? Às vezes, não tem", disse o educador financeiro.

Imagem ilustrativa da imagem Tesouro Direto pode virar dor de cabeça



Quem fica com uma aplicação por menos de 180 dias precisa pagar uma alíquota de IR de 22,5%. Já quem permanece com o título por mais de 720 dias, paga 15% sobre os rendimentos. Se a pessoa vender um papel até 30 dias depois de ter comprado, precisará pagar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Quem investe nestes papeis também precisa estar ciente dos custos de operação. A plataforma de distribuição de títulos públicos da B3 (antiga BMF Bovespa) cobra 0,3% ao ano sobre o patrimônio. A instituição financeira e corretoras podem cobrar uma taxa de até 2%.
Mas Bona alerta para outro ponto que é pouco comentado: o custo de 0,3% terá um impacto no rendimento conforme a variação da taxa de juros. "Quando a taxa estava em 14,25% o impacto era menor na rentabilidade, mas agora a Selic em 6,75% impacta muito mais a rentabilidade, porque é 0,3% de qualquer jeito", comentou Bona.
Os rendimentos do Tesouro Direto podem ser recebidos no vencimento dos títulos ou nos cupons semestrais. Caso o investidor aplique seu capital em títulos com cupons, terá que pagar mais impostos e perderá uma parte dos lucros possíveis para o Leão. De acordo com Bona, essa estratégia é válida para quem já possui um bom capital, mas pouco viável para quem está em fase de acumulação de patrimônio. "Para evitar esse erro e não perder dinheiro basta alinhar seu perfil e objetivos financeiros com as características de cada título", ensina.

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