Brasília - O Tesouro Nacional concluiu a primeira captação no exterior desde o início do governo interino de Michel Temer. Foi a maior diferença paga pelo governo na relação entre títulos brasileiros e americanos desde novembro de 2005 para títulos de 30 anos. Com vencimentos de 2047, foram captados R$ 1,5 bilhão no mercado financeiro dos Estados Unidos com o papel chamado de Global 2047. Segundo o Tesouro, o principal objetivo da emissão foi para monitorar as condições do mercado. O órgão afirma que a emissão teve demanda superior a oferta, mas não precisou quanto maior.
Os governos utilizam a emissão de títulos soberanos de dívida para levantar recursos e financiar suas operações sem ter de fazer empréstimos no mercado. O chamado spread, que é a razão entre o que o governo está prometendo pagar e o que paga o governo americano com seus títulos, as Treasuries, ficou em 375,2 pontos. Em novembro de 2005, esse spread ficou em 362,5 pontos. A taxa de juros ficou em 5,875% ao ano. A taxa é a maior desde 2007 para títulos de 30 anos.
Os prêmios pagos aos investidores para assumirem o risco cambial, também chamados de cupons, renderão a eles 5,625% ao ano. O Tesouro afirma que as taxas maiores têm relação com o fato do Brasil ter perdido o grau de investimento das principais agências de classificação de risco.

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