'Tesouro' brota da terra em Paiçandu
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segunda-feira, 16 de abril de 2007
Donizete Oliveira<br>Especial para a Folha 
Enquanto o mundo vive a iminência da falta de água, em Paiçandu (10 km a leste de Maringá, noroeste do Estado) é descoberta uma mina de água especial. A fonte, apelidada de ouro branco, jorra da terra no sítio Pavão Misterioso, distrito de Água Boa, e é a segunda do mundo que contém o mineral vanádio em proporção ideal para o consumo humano.
Há 15 anos, o comerciante Leoese Aparecido Furunchi, 54, conhecido por Peninha, cultivava uma horta na propriedade. Ele cavou um poço para irrigar as verduras e notou que a água tinha sabor diferente. ''Era leve e muito gostosa'', lembra.
Incentivado por um amigo, Peninha mandou fazer análise química da água, que revelou alto teor de minerais. Entre eles, o vanádio, na composição de 0,022 miligramas por litro.
A fonte do distrito de Água Boa, batizada de Fonte de Luz, é a segunda do mundo a produzir vanádio com esse percentual. A outra, que já atua no mercado há algum tempo, está em Vichy, na França.
Peninha animou-se com o primeiro teste e começou a correr atrás da papelada para registrar e legalizar a mina. Depois de muitas idas a Curitiba e a Brasília, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) lhe concedeu, por 100 anos, a emissão de posse da jazida.
O Laboratório de Análises Minerais (Lamin), do Rio de Janeiro, já emitiu a portaria de lavra, o que permite a comercialização do produto. Na cabeceira do sítio de 23 hectares, ele construiu um barracão onde vai instalar equipamentos para iniciar o engarrafamento da água.
A fonte do sítio de Peninha tem uma vazão com 45 mil e outra com 31.800 litros por hora, respectivamente. Além do mercado regional, no futuro, ele pretende exportar água com vanádio para Europa e Oriente Médio. Até as guaritas que protegem as minas foram construídas de acordo com os critérios da religião muçulmana.
Outra medida exigida pelo mercado europeu é o reflorestamento da área. Ipê-roxo, peroba e cedro são algumas das muitas árvores plantadas ao redor das minas. ''Como meu negócio agora será este, pretendo espalhar mudas de árvores por toda a propriedade'', complementa o comerciante.
A 20 quilômetros do centro de Maringá e a seis de Paiçandu, o sítio de Peninha, na Estrada Calixto, virou atração na região. Quase todos os dias curiosos vão até a propriedade buscar galões de água para beber e tomar banho.
Estudantes do ensino fundamental também já estiveram lá, colhendo dados para trabalhos escolares. Ele garante que os benefícios do vanádio para a saúde são muitos. Por isso, sempre convida os visitantes a se banharem na água jorrada pelo bombeamento.
As análises geológicas indicaram que o sítio do comerciante está sobre os aquíferos Guarani, Serra Geral e Prata, que formam a Bacia do Ivaí. Os estudos revelaram que no local, a 250 metros de profundidade, é possível encontrar água quente.
A descoberta faz Peninha planejar outro negócio para o futuro: a construção de uma estância hidromineral na propriedade. ''Seguimos todos os caminhos legais e, graças a Deus, tivemos a sorte de tirar esse prêmio, um tesouro que brota da terra'', comemora ele.


